Archive for the ‘Os dias’ Category

Mensagem

June 23, 2011

És mão que me tranquiliza e disfarça a tremura dos meus dedos…

És abraço que me ampara a queda invisível e incessante, irmão que nunca tive e que nunca deixarei de ter,

Sorriso malandro de quem gosta de piratas e lágrima que antecedeu a minha e descobriu primeiro o que é amar e ser amado….

Esta viagem é e será nossa.

Obrigado

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O Silêncio e a Palavra

June 17, 2011

Fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio, ou então guarda silêncio.
Eurípedes, a ensinar que quem muito fala pouco diz.

…em Lisboa, obviamente.

June 2, 2011

Depois de um dia puxado, fui procurar asilo na renião magna, onde os bons amigos se encontram e me revigoram.

À noite, Lisboa oferece-me um príncipio de Festa que me deixou de barriga cheia, pronto para uma boa noite de sono.

Aos amigos e a Lisboa, o meu mais sentido agradecimento.

um bom dia

March 31, 2011

Há dias em que nos sentimos bem.

Ontem foi um desses dias. A forma como defendemos uma posição que divide uma aparente unanimidade deu azo a essa sensação.

É a sensação de termos feito o nosso trabalho, com humor e boa disposição (uma enecenção a 3 que correu bem)

E depois, a notícia bom da minha amiga que, afinal, vai continuar por cá por muitos e longos anos.

Foi um bom dia

A traição do Sol

January 17, 2011

Sei que estamos no inverno.

Sei que no inverno há muita chuva e frio.

O que eu não sei é porque é que o Sol se zangou com o país e se recusa aparecer .

Aqui fica o meu protesto.

Volta, Sol, estamos todos muito cinzentos.

A família

February 26, 2010

Indignei-me, no outro dia, com a manifestação “em defesa da família verdadeira”.

Na altura, para além de ficar irritado com a merda  do trânsito que não andava – moro ali para os lados da Av. da Liberdade – e de ter demorado 40 minutos do Rossio até minha casa (demoro, normalmente, uns 2 minutos), e, sobretudo, com o fim último da manif. Aquele conjunto de pessoas entende que é dono(a) do verdadeiro conceito de família: pai, mãe e filhos.

Para além de achar boçal, provinciano e fora de tudo o que é real hoje em dia, não deixei  que esses sentimentos  influenciassem a explicação que dei à minha filha mais velha: é a liberdade de expressão e temos de a defender, mesmo quando (ou sobretudo) não concordamos.

Vai daí e ao ler hoje o Público, percebi, na sua verdadeira extensão, a razão da minha indignação.

E a verdadeira extensão da minha indignação – aquilo que não consegui explicar à minha filha – vem tim tim por tim tim, explicado de forma clara, agressiva, mas sempre brilhante, na crónica da  Alexandra Lucas Coelho.

Resumo: ” A verdadeira família é aquela que se mantém à custa de mentira, traição, neurose? Não será, antes e finalmente, amor, clareza, coragem? Não serão famílias verdadeiras todas aquelas que querem, e conseguem, estar juntas?

A melhor herança o Novo Testamento é amor, amor e amor. Então dediquem-se a fazer o amor, espalhem todos esses ensinamentos cristãos e deixem viver os que querem viver.Olhem ara os vossos filhos, para os vosso pais, para as crianças abandonadas, para quem tem fome, frio, medo e está doente. Dêem-lhes todo esse tempo investido na promoção da suposta família verdadeira. E parem de atrapalhar o trânsito com assuntos que não são da vossa conta (…)

Sim, creiam, os homossexuais vão casar e ter filhos, é o futuro. Ninguém discriminado por raça, religião ou orientação sexual, lembram-se? Talvez os vossos filhos vos possam ensinar”

Obrigado Alexandra.

A linda Inês

February 26, 2010

O dia 13 de Novembro de 2008 vai ficar na minha memória por causa de duas meninas lindas: a minha filha e a Inês.

Nesse dia, nasceu a R., a minha filha mais nova que é linda como só as minhas filhas sabem ser.

Nesse dia, a linda Inês entrou no IPO para iniciar um tratamento de uma leucemia. Lembro-me de receber o telefonema da mãe, e disfarçar para que a J.  – que estava em trabalho de parto – não desse conta dessa infeliz e triste notícia.

A Inês tinha 3 anos.

A Inês tem hoje 5 anos. Fui almoçar com a mãe e as notícias não podiam ser as melhores: a coisa está debelada e a Inês vai ficar bem.

Como disse – e penso – qualquer outro resultado seria absolutamente inaceitável.

Pense no Haiti, Reze pelo Haiti

January 21, 2010

Não há como não ficar perturbado com as imagens que nos invadem o conforto das nossas casas e nos mostram a desgraça e tragédia de um povo que existe num país que não existe.

Lembro-me, muitas vezes da canção do Caetano que tem o nome do país que não existe.

Ao ouvir a letra – que aborda a violência policial no Brasil, no caso dos 111 presos, pretos ou quase pretos, pobres em todo o caso – não posso deixar de pensar que nós, os brancos ou os quase brancos, em todo o caso, mais favorecidos,  só nos lembramos dos haitis deste mundo nestas ocasiões.

Dirão: pelo menos ainda nos lembramos.

E eu respondo: Pois…

Aqui fica uma parte da letra do Caetano

111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

As minhas filhas

January 20, 2010

Voltei para escrever sobre elas.

A mais velha pediu que voltasse a escrever. Não sei se ela vai ler este post, mas fazendo a vontade, aqui estou para ir dando continuidade a uma coisa que tem já uns anitos.

A outra, a R., está linda. Já fez um ano e dois meses e anda por todo o lado (começou a andar no dia do seu aniversário).

Fala pelos cotovelos (numa linguagem própria e para a qual não há dicionários) e tem uma especial propensão para a asneira (já decidimos que é pior que o do meio que era terrível).

Não tenho dúvidas – apesar da nossa vida estar caótica, mais do que q.b. – que não conseguimos imaginar a vida sem elas.

E sem o do meio, claro.

Companheiro Vasco

May 6, 2009

Foi com tristeza que soube da morte do companheiro Vasco.
Não o da revolução, mas aquele que, quando a revolução aconteceu, era um verdadeiro companheiro para os miúdos daquela idade e que dava pelo nome de Granja.
Muito antes de existir a Monstra, muito antes de existir a Amadora e a BD, existia o Vasco Granja.
Ensinou-nos a ver a BD como uma arte. A coisa passava desde aquilo que era mainstream até ao mais alternativo. Desde o Woodpecker, passando pela Pantera Cor de Rosa, até aos Peanuts e aqueles que tinham um nome impronunciável e que vinham de países tão longínquos como a Bulgária, a Checoslováquia, a China e outros que tais.
A TV era a preto e branco, mas eu não perdia um programa do Vasco.
Bem haja por tudo o que me ensinou.
Nunca percebi a razão do seu desaparecimento precoce. Provavelmente tem que ver com as circunstâncias especiais de um país como o nosso.