Archive for the ‘As viagens’ Category

Madrid me mata – II

September 17, 2007

Madrid é uma cidade que se aprende a gostar.

Não é uma cidade fácil como Sevilha, Barcelona, Salamanca, para falar de algumas que conheço. Durante muitos anos, achei a cidade fria e árida: a monumentalidade da construção e o facto de não haver água (o rio que passa por ali não conta), fizeram-me optar sempre por Barcelona.

Desta vez, a imagem da cidade transformou-se. Para além de termos ficado num bairro residencial – é sempre melhor – vimos sítios que não conhecia e que gostei muito.

A Chueca – ao que consta, a zona gayzola de Madrid – é bonita e com boa onda; as Huertas também.

Detestei o Rastro – já vi e não tenho paciência – e um bairro que me meteu medo (talvez por ter andado na wrong side of the track) e que se chama Malasana.

De salientar o edíficio do Circulo de Belas Artes onde se pode almoçar numa sala magnífica (metro do Banco de Espanha) e uma loja de chocolates chamada Cacao Sampaka – que vai abrir também em Lx, ali nas Amoreiras.

De resto foi passear, tomar café, beber e comer tapas e ver duas magníficas exposições:

a do Van Gogh – os últimos dias (dois meses). O Van Gogh pintou cerca de 72 quadros. Magníficos. Uma exposição imperdível.

– a do Gordillo – um espanhol eclético que expôs na zona temporária do rainha Sofia e que foi uma verdadeira descoberta. Há muito tempo que não via uma exposição de arte contemporanea tão boa.

Vale a pena visitar as permanentes do Thyssem (sobretudo a colecção da baronesa)  a ampliação e a parte de baixo do Rainha Sofia.

O Prado só pelo Goya e o Bosch ( que já tínhamos visto).

Quero voltar com a Joana e sem os miúdos. Talvez para ver a exposição da Paula Rego ou só para não fazer nada.

Espanha é sempre uma coisa boa. Em vez de pretender uma união ibérica, devíamos olhar para o exemplo dos espanhóis e não copiar só aquilo que eles têm de mau ( que é o que temos feitos como só nós sabemos fazer).

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Madrid me mata – I

September 9, 2007

Para acabar as nossas férias, seguindo a recomadaçao da J., viemos a Madrid ver o Van Gogh no Thyssen.

E, como sempre, Madrid é uma aposta ganha.

Vamos hoje embora, cheios de saudades e com muita vontade de voltar. A última vez que estivemos em Madrid, fizemos um programa exclusivamente infantil: fomos visitar o parque da Warner.

Desta vez, para além de nos termos encontrado com a tia Graça – que aqui estava em trabalho – fomos visitar lugares de crescidos: a Chueca, o Rastro, as Huertas e o Centro.

Ficámos num dos bairros mais bonitos de Madrid: Salamanca & Recoletos. Bebi muitas cañas, comi umas anchovas divinas e visitei a belíssima exposiçao do Vang Gogh – só por si vale a viagem a Madrid.

Pena é que nos vamos embora hoje.

Vamos voltar em breve.

Resumindo….

June 11, 2007

Gostei muito de Alcácer e consegui satisfazer a minha curiosidade. Era uma terra que eu gostava de conhecer, cheia de arroz, rio e casas bonitas.

Por ser pequena, vale a pena visitar. Nesta altura era impressionante a quantidade de cegonhas, nossas vizinhas, que inundam a paisagem com mil e um ninhos.

Uma nota final para a Pousada. Embora fã incondicional, achei o serviço fraco. Compensou a localização que tem a melhor vista da cidade por se situar lá em cima, onde exstiu um convento.

Curiosidade. Alcácer é a terra do brilhante judeu que foi Pedro Nunes e foi a sede da Ordem de Santiago, depois de reconquistada aos mouros por D. Afonso II.

Do sal porque era o sal (e peixe salgado) uma das maiores industrias daquela que só em finais do sec. XX foi elevada a cidade.

Parem por lá que vale bem a viagem.

Alcácer do Sal & Carvalhal

June 11, 2007

No sábado, ficámos na pousada até às 17h. Na piscina onde o Rato fez amizade com um miúdo que tinha uma família muito peculiar. O pai era grego, a mãe portuguesa e a irmã inglesa. Falavam português, mas entre eles, a lingua utilizada era, alternadamente, o francês e o inglês. Não sei porquê.

Passámos o final do dia no Carvalhal onde jantámos. A praia estava deserta e o final de dia soberbo.

O Carvalhal

June 11, 2007

Como não podia deixar de ser, fomos à praia. Saímos de Alcácer e rumámos ao Carvalhal, que fica a uns 30/35 km. Estrada boa, viagem perfeita.

O Carvalhal não tem piada nenhuma. O sítio propriamente dito. Para agravar a coisa, está tudo em obras (mega empreitada para levar saneamento básico aquele lugar, o que me assusta porque prevejo a preparação de mega-empreendimentos-como-no-pior-algarve) e a paisagem é deprimente.

Há uma imensa barreira de dunas que separa o Carvalhal do mar. Atravessada a barreira estamos numa das praias mais bonitas do litoral alentejano. Areal a perder de vista, a Arrábida a espreitar lá ao fundo, um belíssimo restaurante de praia que não serve só fritos e cornetos. Enfim, um colírio para os meus olhos.

Passámos o dia na praia (depois de comer choco, camarão frito e algumas imperiais), regressando a Alcácer onde fomos dar um mergulho na piscina da pousada.

Jantámos no Alpendre (mais peixinho grelhado) e recolhemos para dormir.

Adormeci, uma vez mais, como um bébé (coisa que não aconteceu ao meu filho que ficou a ver o Over the Edge).

Alcácer do Sal

June 11, 2007

Quando era pequeno, uma das lembranças mais vivas da (interminável) viagem para Tavira, era Alcácer e a sua ponte de ferro, logo a seguir a uma rotunda. Depois a recta até Grândola.

Lá íamos nós no Ford Escort amarelo torrado (sem cintos de segurança, que esta moda é nova), debaixo de um calor insuportável (ar condicionado nem pensar) a chatear a cabeça da minha mãe. Eu e o meu irmão nas laterais e a minha irmã ao meio, tudo no banco de trás.

Não me lembro de alguma vez ter parado em Alcácer. Lembro-me de me ter ficado essa vontade, só agora concretizada.

Alcácer é uma cidade linda de morrer. Lembra-me Tavira e Mértola. Tavira porque tem ainda um centro histórico relativamente intacto. Mértola porque a cor do Sado é igual à do Guadiana e a cidade desenvolve-se num sobe e desce.

Chegámos na quinta, abancámos na pousada (com uma vista magnífica) e, depois de uns banhos na piscina, fomos à cidade comer caracóis (eu e os miúdos porque a J. comeu uma sandwich de qualquer coisa).

O fim de tarde na marginal é lindo e a rua paralela à marginal (interior) é parecida com uma rua de Tavira. Jantámos no Alpendre (restaurante ali para os lados da Câmara) onde comemos muito bem. O começo da refeição não correu bem. A menina estava cansada, mas depressa ficou nossa “amiga”.

Deitei-me e adormeci logo. Estava exausto.

A Estrela

February 23, 2007

No Carnaval resolvemos rumar à Covilhã. Nós, os miúdos, uns amigos e os míudos dos amigos.

Tudo correu muito bem. Bom Hotel, crianças à solta (a exigir o cartão dos quartos dos pais), boa comida, boa companhia.

A J. e a Cat tiveram uma aula de ski e ficaram viciadas (elas têm queda para a coisa). Eu não desgostei, embora em férias fazer qualquer tipo de esforço não é comigo. Prefiro ler, dormir, comer e beber e conversar, o que já é muita coisa.

A Covilhã é uma cidade simpática que tem a universidade mais bonita que conheço, a UBI. Tem também um museu dos lanifícios que é uma coisa honesta e que vale a pena visitar.

Depois há a serra. Um assombro de beleza, com o Zêzere por perto e com uma paisagem que me faz pensar em coisas boas.

Mas, como não há bela sem senão (estamos em Portugal, já se vê), é uma dor de alma chegar à Torre e verificar que:

– demorámos cerca de 2 horas a fazer 6 quilómetros;

– estão nove milhões e quinhentos mil portugueses (os outros têm juízo e já lá não põem os cotos);

– os apoios (cafés e lojas) continuam a parecer os sanitários de um apeadeiro menor de uma estação da CP. O cheiro a urina, desinfectante, queijos e presuntos misturam-se no ar de forma a provocar a repulsa de qualquer cidadão médio. Fechando os olhos, podíamos estar em plena idade média.

–  a Torre é um mar de carros, Katias Vanessas e Sandros Vanderlei todos vestidos com trajes de carnaval de tecido sintético comprado numa qualquer loja do chinês;

– em suma, tudo o que a serra tem de magnífico, perde-se naquela que é (para mim) uma visão do inferno, em versão gelada.

Sendo aquilo um parque, não ocorreu às almas pensante deste país que é mais fácil proíbir os carros e organizar um esquema em que se deixa o carro cá em baixo e vai-se a pé ou de autocarro?

E que aqueles pardeeiros a que chamam cafés e lojas deviam ser implodidos e substituídos por coisas mais aprazíveis (e sobretudo, mais limpas)?

A natureza agradece e os meus olhos também.

Monchique, 3º dia

December 31, 2005

Os tratamentos começavam cedo.

Eu fui fazer um duche vichy e a J. uma massagem.

O duche vichy é fantástico. Deitamo-nos, de barriga para baixo, numa marquesa. Por cima, em forma de candeeiro rectangular que acompnaha o nosso corpo, estão saídas de água ( duche) que começam a cair sobre as costas. Enquanto isto acontece, uma menina vai fazendo massagens. Como diz a J., às tantas parece que temos 10 mãos a massajar o nosso corpo.

Logo a seguir, fui tomar o pequeno-almoço com a J. que tinha sido massajada.

Voltámos para Lisboa, passando por Silves e São Bartolomeu de Messines ( haverá terra mais feia no algarve?), evitando a monotonia da via do infante. Deu para ver os extensos campos de laranjas que, sem dúvida, são as melhores que se comem aqui no burgo.

Escusado será dizer que sentimos saudades dos miúdos, que, perante a notícia de que não iam connosco, ficaram amuados. Receberam um postal e muitos beijos, mimos e outras coisas quando chegámos a Lx.

Vamos voltar a Monchique, da próxima vez, com eles.

Monchique, 2º dia

December 31, 2005

No campo tenho um problema. Aliás acho que o problema é mais quando estou fora de Lisboa ( ou de qualquer centro urbano interessante).

Fico com nervos. A tranquilidade dá-me nervos. Apetece-me desatar a arranjar programas alterantivos para fazer mil e uma coisas. Cinema, teatro, exposições, qualquer coisa agitada. A explicação mais simples para este meu comportamento é a de que acontece, quando estamos de férias, uma travagem brusca. Daí a inquietação.
A J. sofre com este meu comportamento.
Desta vez foi firme. Não vou a lado nenhum, disse ela com aquele ar de má. Resignei-me. O telemóvel já tinha ficado sem bateria ( isso sim é um alívio) e eu não tinha trazido o carregador. De modo que deixei-me ir.

Li, dei passeios, dormitei o que foi óptimo.

Neste dia, tinha programado uma massagem geral.
A massagem correu bem, embora, no início, a minha rigidez deve ter sido notada. É que, desta vez, era um tipo que fazia a massagem.
Portei-me bem, não cuspi para o chão, não falei de miúdas nem de futebol.

Fiquei muito mole depois da massagem, pelo que fui para o quarto esperar a J. que vinha de um duche vichy.

Ainda fomos tomar banho na piscina que tem jactos e hidromassagens por todo o lado. Exprimentei a sauna e o banho turco que nos deixa com a sensação de termos sido limpos sem tomar banho ( eu cumpri à risca. uns minutos de sauna e um duche de água fria. o mesmo no banho turco).

Na sauna comprovei, como bem observou um senhor que meteu conversa comigo e com a J., que os homens suam mais que as senhoras. A J. suou um pouco da cara. Eu parecia ter saído de uma fornalha. Todos os meus poros pingavam.

O jantar foi óptimo ( costeletas de cordeiro, com limão e hortelã) e consegui, sem dramas, estabelecer contacto com o troll.

Monchique, 1º dia

December 30, 2005

A prenda de Natal e aniversário ( meu e nosso, de casamento) foi uma estadia em Monchique para um tratamento anti stress.

Tinha muito má ideia de Monchique. Aquilo estava decadente, velho e a cheirar a mofo. Eu sou daquelas pessoas que não toma banho no ginásio a não ser que a coisa esteja a brilhar depois do teste do algodão que não engana. Acho que os balneários são uma especie de nursery para bichos, fungos e outras coisas que nem quero pensar.

Daí que a surpresa não podia ser melhor. Segundo diz a J. – eu não me lembro – fui eu que chamei a atenção para o facto de terem remodelado as termas.

É verdade. A Fundação Oriente comprou as termas e tratou de por a coisa em condições. E fez um belíssimo trabalho. Está tudo impecável, a preços acessíveis e com um atendimento que não estamos habituados, sobretudo no Algarve.

Chegámos às termas já de noite, ainda a tempo de jantar. O programa que a J. escolheu incluia meia-pensão ( o que vale a pena já que a cozinha é honesta). O quarto é pequeno, no Hotel Termal ( único hotel do complexo com acesso directo aos banhos), mas muito simpático.

Depois do jantar, a J. insitiu que fossemos a Monchique. A coisa não correu bem. Muito frio e a nigth-life pouco promissora. Fugimos para as Caldas e fomos dormir.

No dia seguinte o programa era o de tomar um duche de jacto e um banho areo-qualquer-coisa. O duche de jacto é uma versão agradável de um canhão de água. A menina vai direcionado o jacto e descobrindo as partes mais fracas do nosso corpo ( leia-se, mais gordas). A sensação é óptima.

Logo a seguir, o areo-banho. Eu perguntei à menina onde era e ela perguntou-me se eu ia tomar uma banho cleópatra. Não tive coragem de perguntar o que era o banho com o nome da rainha e ela percebeu que eu não sou um frequentador assíduo das termas.

Lá me chamaram e o aero-banho consiste numa banheira gigante que se enche em dois segundos. Depois de nos enfiarmos lá dentro, a cois começa a borbulhar e a menina ( sempre uma menina), deita um óleo que cheira a eucalipto
Fique 10 minutos que eu já volto, disse a menina. Relaxei e os 10 minutos pareceram 2 segundos.

Tudo isto decorreu da parte da tarde. De manhã fomos a Silves, aquela que já foi a capital do Algarve. Está tudo em obras e fiquei com a sensação que Silves já foi mais bonita. Nem o café inglês, ali ao pé da Sé, escapou. Está mais feio e sem ingleses na gerência, que imitam o viver mediterraneo como nós não sabemos fazer.

Jantámos cedo e descobri um troll. Uma empregada que era uma menina com ar de troll. Arrastava os pés e falava alto para os comensais. Reparei, mais tarde, que ela tem uma cara bonita e a J. proibiu-me de estabelecer contacto com o troll. Acha que eu podia tentar uma gracinha qualquer, vá-se lá saber porquê….