Archive for February, 2010

A família

February 26, 2010

Indignei-me, no outro dia, com a manifestação “em defesa da família verdadeira”.

Na altura, para além de ficar irritado com a merda  do trânsito que não andava – moro ali para os lados da Av. da Liberdade – e de ter demorado 40 minutos do Rossio até minha casa (demoro, normalmente, uns 2 minutos), e, sobretudo, com o fim último da manif. Aquele conjunto de pessoas entende que é dono(a) do verdadeiro conceito de família: pai, mãe e filhos.

Para além de achar boçal, provinciano e fora de tudo o que é real hoje em dia, não deixei  que esses sentimentos  influenciassem a explicação que dei à minha filha mais velha: é a liberdade de expressão e temos de a defender, mesmo quando (ou sobretudo) não concordamos.

Vai daí e ao ler hoje o Público, percebi, na sua verdadeira extensão, a razão da minha indignação.

E a verdadeira extensão da minha indignação – aquilo que não consegui explicar à minha filha – vem tim tim por tim tim, explicado de forma clara, agressiva, mas sempre brilhante, na crónica da  Alexandra Lucas Coelho.

Resumo: ” A verdadeira família é aquela que se mantém à custa de mentira, traição, neurose? Não será, antes e finalmente, amor, clareza, coragem? Não serão famílias verdadeiras todas aquelas que querem, e conseguem, estar juntas?

A melhor herança o Novo Testamento é amor, amor e amor. Então dediquem-se a fazer o amor, espalhem todos esses ensinamentos cristãos e deixem viver os que querem viver.Olhem ara os vossos filhos, para os vosso pais, para as crianças abandonadas, para quem tem fome, frio, medo e está doente. Dêem-lhes todo esse tempo investido na promoção da suposta família verdadeira. E parem de atrapalhar o trânsito com assuntos que não são da vossa conta (…)

Sim, creiam, os homossexuais vão casar e ter filhos, é o futuro. Ninguém discriminado por raça, religião ou orientação sexual, lembram-se? Talvez os vossos filhos vos possam ensinar”

Obrigado Alexandra.

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A linda Inês

February 26, 2010

O dia 13 de Novembro de 2008 vai ficar na minha memória por causa de duas meninas lindas: a minha filha e a Inês.

Nesse dia, nasceu a R., a minha filha mais nova que é linda como só as minhas filhas sabem ser.

Nesse dia, a linda Inês entrou no IPO para iniciar um tratamento de uma leucemia. Lembro-me de receber o telefonema da mãe, e disfarçar para que a J.  – que estava em trabalho de parto – não desse conta dessa infeliz e triste notícia.

A Inês tinha 3 anos.

A Inês tem hoje 5 anos. Fui almoçar com a mãe e as notícias não podiam ser as melhores: a coisa está debelada e a Inês vai ficar bem.

Como disse – e penso – qualquer outro resultado seria absolutamente inaceitável.