Archive for September, 2007

Relações Internacionais

September 26, 2007

Há uns dias atrás, lendo o Público, verifiquei que se vai realizar em Lisboa a Cimeira UE-África no âmbito da presidência portuguesa.

Cimeira importante, sem dúvida. Mas o curioso foi saber que se criou um incidente em relação à participação do presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe. Ao que parece, Gordon Brown, sucessor de Blair, acha que ou participa ele ou o Mugabe.

O nosso ministro dos negócios estrangeiros veio a terreno dizer que preferia o Brown ao Mugabe (coisa estranha, a meu ver, já que a cimeira não é um clube de chá).

Parei para pensar e, não sendo o Mugabe um presidente com P grande – é daqueles ditadores africanos que nos fazem recordar o Bokassa, mas em versão, aparentemente, mais suave – achei que o o Brown tinha razão. Afinal a UE deve mostrar uma posição de discordância e repúdio para com estes ditadores.

Falei com o sábio na matéria – o meu próprio pai – que me disse que o sr. Brown não pode ter aquela atitude. Porquê, perguntei eu. Porque nesta cimeira há outros ditadores – se calhar mais pequenos ou menos importantes, mas, nevertheless, ditadores – que vão marcar presença na cimeira.

Mas mesmo que isso não acontecesse, há outros ditadores africanos relativamente aos quais a velha Albion não demonstra nojo, repugnância ou enjoo.

Nada como falar com quem sabe, e, quase sempre, tem razão.

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Mein daugther geht zur Lissabon Deutsch-Schule

September 24, 2007

…ou a minha filha anda na escola alemã de Lisboa (tradução livre no babel fish).

Sempre fui contra o ensino privado. Não falta de qualidade, mas porque, quando eu fui estudante do liceu a coisa era diferente. A escola pública era, de um modo geral, bastante aceitável. Mesmo os liceus problemáticos tinham bons professores.

Hoje em dia a coisa mudou. O ensino piorou e os liceus também. Basta dar o exemplo do meu antigo liceu onde os professores marcam testes e depois, com um ar muito light, faltam ( e não foi só uma vez que aconteceu, segundo me contaram).

Depois há a questão das aulas de substituição, ao que parece, com professores insatisfeitos que despejam a insatisfação em cima dos alunos.

E, por último, há professores que só o são por falta de melhor para fazer e temos um ministério que brinca com os conteúdos programáticos como se os miúdos fossem cobaias (basta falar na mal fadada TLEBS).

Enfim, haverá concerteza, uma aldeia gaulesa que resiste e onde tudo corre bem.

A nossa opção foi feita com duas condições: gostamos do plano de estudos da escola – no 12º ano, os alunos podem ir para medicina ou para economia – e era necessário que a nossa filha gostasse da escola.

Até agora, a coisa não correu mal, aliás está a correr melhor do que pensávamos.

Mas, como não há bela sem senão, a minha filha qualquer dia está a dizer mal do pai em alemão e eu in albis.

A J. vai aprender alemão para me defender.

O elevador da Glória

September 21, 2007

Voltei a andar no elevador da Glória.

(Re)Abriu há pouco tempo, depois de um intervalo de mais de 1 ano, fechado por causa das obras do túnel do Rossio.

Gosto daquele elevador, ascensor como manda a linguagem correcta. Tenho pena que não se tenha investido mais neste meio de transporte, muito útil numa Lisboa que nos obriga a subir íngremes colinas. Os últimos que restam são o da Bica, o do Lavra e, noutro estilo, o de Santa Justa.

Lembro-me dos meus tempos de deliquência em que ia à boleia, agarrado num suporte da parte de trás, a subir até ao Bairro Alto.

Hoje já não tenho fôlego e pago o bilhete.

Madrid me mata – II

September 17, 2007

Madrid é uma cidade que se aprende a gostar.

Não é uma cidade fácil como Sevilha, Barcelona, Salamanca, para falar de algumas que conheço. Durante muitos anos, achei a cidade fria e árida: a monumentalidade da construção e o facto de não haver água (o rio que passa por ali não conta), fizeram-me optar sempre por Barcelona.

Desta vez, a imagem da cidade transformou-se. Para além de termos ficado num bairro residencial – é sempre melhor – vimos sítios que não conhecia e que gostei muito.

A Chueca – ao que consta, a zona gayzola de Madrid – é bonita e com boa onda; as Huertas também.

Detestei o Rastro – já vi e não tenho paciência – e um bairro que me meteu medo (talvez por ter andado na wrong side of the track) e que se chama Malasana.

De salientar o edíficio do Circulo de Belas Artes onde se pode almoçar numa sala magnífica (metro do Banco de Espanha) e uma loja de chocolates chamada Cacao Sampaka – que vai abrir também em Lx, ali nas Amoreiras.

De resto foi passear, tomar café, beber e comer tapas e ver duas magníficas exposições:

a do Van Gogh – os últimos dias (dois meses). O Van Gogh pintou cerca de 72 quadros. Magníficos. Uma exposição imperdível.

– a do Gordillo – um espanhol eclético que expôs na zona temporária do rainha Sofia e que foi uma verdadeira descoberta. Há muito tempo que não via uma exposição de arte contemporanea tão boa.

Vale a pena visitar as permanentes do Thyssem (sobretudo a colecção da baronesa)  a ampliação e a parte de baixo do Rainha Sofia.

O Prado só pelo Goya e o Bosch ( que já tínhamos visto).

Quero voltar com a Joana e sem os miúdos. Talvez para ver a exposição da Paula Rego ou só para não fazer nada.

Espanha é sempre uma coisa boa. Em vez de pretender uma união ibérica, devíamos olhar para o exemplo dos espanhóis e não copiar só aquilo que eles têm de mau ( que é o que temos feitos como só nós sabemos fazer).

Madrid me mata – I

September 9, 2007

Para acabar as nossas férias, seguindo a recomadaçao da J., viemos a Madrid ver o Van Gogh no Thyssen.

E, como sempre, Madrid é uma aposta ganha.

Vamos hoje embora, cheios de saudades e com muita vontade de voltar. A última vez que estivemos em Madrid, fizemos um programa exclusivamente infantil: fomos visitar o parque da Warner.

Desta vez, para além de nos termos encontrado com a tia Graça – que aqui estava em trabalho – fomos visitar lugares de crescidos: a Chueca, o Rastro, as Huertas e o Centro.

Ficámos num dos bairros mais bonitos de Madrid: Salamanca & Recoletos. Bebi muitas cañas, comi umas anchovas divinas e visitei a belíssima exposiçao do Vang Gogh – só por si vale a viagem a Madrid.

Pena é que nos vamos embora hoje.

Vamos voltar em breve.

Café Gelo

September 3, 2007

Na passada sexta-feira, estava eu a fazer não sei o quê na baixa quando, de repente, tive uma excelente surpresa: fechou o Abracabra – comer ali ou num apeadeiro da CP a cheirar a urina era quase a mesma coisa – e reabriu o Café Gelo.

É desde logo uma boa notícia porque a abertura de um café no Rossio é coisa que não se vê há dezenas de anos.

Depois porque o Café Gelo foi um café daqueles à antiga portuguesa e muito ligado a movimentos e resistência.

E, por último, porque é um café a sério: não é um snack-bar. Tem mesas, decoração simples mas bonita, empregados simpáticos e boa pastelaria.

Do que sei, o antigo café ficava ali ao lado (onde hoje é uma sapataria e onde em tempos funcionou a Valentim).

Espero que a Baixa fique mais animada. E que o Gelo venha fazer concorrência à Suiça e ao (intragável) Nicola onde, para ser servido, temos de pedir desculpa por existir.