Archive for May, 2007

Insólitos

May 31, 2007

Acabo de abrir o meu email e leio, como faço diriamente,  os sumários do Diário da República. E deparo com um decreto presidencial que me chamou a atenção.

Foi nomeado um embaixador de Portugal junto da República das Seychelles.

Para quem não sabe, as Seychelles ficam ali para os lados de Madagáscar e foram descobertas por Vasco da Gama.

São também (dizem) um excelente destino de férias.

O insólito é tentar perceber qual o interesse do nosso país em manter naquele lugar uma representação diplomática. Será que o país tem uma significativa população portuguesa? Ou é só porque foi descoberto pelo Vasco da Gama?

Seja como for, não percebo como é que se encerram consulados em paises onde há uma forte presença portuguesa (França e Brasil, por exemplo) por questões económicas ou economicistas e se nomeia um embaixador para as Seychelles.

Talvez não seja matéria que eu deva perceber…..

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O voto

May 30, 2007

Um amigo meu, pessoa que respeito e admiro, disse-me um dia destes que, nos idos de 74,  a malta dizia que o voto é a arma do povo.

Já tinha ouvido essa expressão. O que me surpreendeu é que este meu amigo, pessoa que anda pelos 50 e tal anos, revelou que nunca votou a não ser em eleições para as quais ele próprio se apresenta como candidato. Ele só vota nele próprio.

Sendo o voto a arma do povo, ele prefere não a descarregar.

E eu para lá caminho. Não sei em quem votar nas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa. Dos 12 candidatos, uns estão excluídos por natureza (o Monteiro, o Pinto Coelho e o Telmo Correia).

Depois há aqueles que me enjoam (António Costa, José Sá Fernandes – fazia mais pela cidade quando não era vereador – e o cinzentíssimo Fernando Negrão).

Do meu ponto de vista, resta a Roseta, o Garcia Pereira e o Ruben.

Nestas eleiçoes para o governo desta cidade que também é minha, gostava de ver alguém como a Maria José Nogueira Pinto ou o João Soares.

A primeira não brinca em serviço, e o segundo fez mais por Lisboa do que todos os outros candidatos (embora confesse que tenho uma embirração pelo personagem, mas reconheço as suas qualidades).

Mesmo que não tenha escolha, acho que vou votar. Descarrego o meu voto como sinal de que algo vai mal neste reino.

Pode não significar grande coisa, mas é para mim melhor do que ficar em casa ou ir para a praia.

Lisboa linda, parte MCXXV

May 29, 2007

Todos os anos, por esta altura, Lisboa enche-se de lilás.

São os jacarandás que estão em flor. Os tons misturados com a  luz desta (magnífica) cidade, fazem bem à (minha) alma.

Não percam os meus sítios favoritos, por esta ordem:

Avenida D. Carlos I ( com o rio em pano de fundo);

Rua D. Pedro V (mesmo ao pé do abandonado jardim de S. Pedro de Alcântara);

Largo do Carmo (provavelmente a praça mais bonita de Lisboa).

Observem. As flores duram muito pouco tempo.

Insólitos

May 29, 2007

A margem sul é um deserto. É um facto incontestado e provado que a margem sul não tem escolas, hospitais, casas.

Mas mais. É perigoso construir um aeroporto na margem sul por causa dos ataques terroristas que podem ter como alvo uma das pontes.

A Ota, pelo contrário, é uma metrópole com hotéis, casinos, escolas, vários hospitais, trinta e cinco auto-estradas e vários centros comerciais ao lado de urbanizações de luxo.

É este o compromisso. Isto é, a margem sul é um deserto para a especulação.

A Ota nem por isso. É um eldorado à espera de ser explorado.

Estamos de rastos…

May 28, 2007

Fim de semana (18-20)

Évora – com a Cat para participar no PortugalGym (o nome não podia ser pior). Apresentação das classes que vão à Áustria em Julho. Foram 3 dias sem tenda chill-out.

Semana 21-25

Provas da Cat (as tais de que se fala, as de aferição, que não contam para nada), mais as provas na Escola Alemã, mais treinos para o Sarau de Domingo, mais inauguração da exposição do avô, mais lançamento do livro do meu bisavô.

Fim de semana 26-27

Sábado – treinos no CCB para o Sarau de Domingo. Foram os dois, claro, com horários diferentes.

Domingo – Sarau da Cat às 15h que acabou quase às 18h. Fomos buscar o Rato e levar a Cat a uma festa de aniversário. O Sarau do Rato foi às 18,30h.

Chegámos a casa deitando os bofes pela boca, a precisar de férias, depois de termos sido apanhados no trânsito por causa da vitória do Sporting.

A coisa estava tão má que a Joana atendeu o telemóvel errado. Tocou o dela e ela atendeu o meu.

Enfim, parece que a coisa vai acalmar.

Missing

May 18, 2007

Estamos todos solidários com a família da criança que desapareceu na Praia da Luz no Algarve. Espero, sinceramente, que a criança seja encontrada e que tudo acabe em bem.

Ontem, passei na Baixa e vi um cartaz com a cara da menina e pensei em todas as outras crianças que desparecem.

Esta onda de solidariedade deveria estender-se também a essas crianças.

Cliché

May 14, 2007

Sei que é um lugar comum e que toda a gente diz o mesmo: a verdade é que a nossa vida é dividida entre o antes e o depois de ser pai.

Qual casamento, qual carapuça!, Qual licenciatura, mestrado ou doutoramento, qual primeiro emprego, barco, casa, carro, amante, cão, gato, o diabo a sete.

Ser pai (ou mãe, mas as senhoras são sempre uma coisa à parte) é algo que nos transforma. Não somos os mesmos. Somos alguém que vive em função de outra pessoa, o filho(a).

É incondicional o amor que sentimos e é terrível os medos que passamos a ter.

Eles são lindos. Uns “sabões”(sabichões, em versão livre do meu filho) e sabem levar a sua água ao moínho.

Estou para aqui a falar só porque o meu filho passou por aqui, eu parei de trabalhar, exasperei q.b., mas, no fim, apeteceu-me ir embora com ele comer gelados e brincar no jardim do Príncipe Real.

Ele foi comer gelados que era uma preocupação essencial do seu final de dia.

Eu fiquei para aqui a gramar o meu trabalho e a aturar uns chatos que devem estar a pensar em ir comer gelados com os filhos deles.

Teresa Salgueiro

May 13, 2007

Há muito tempo que me cansei de ouvir Madredeus. Não é por nada, é só porque acho que o estilo está esgotado.

Eis que surge uma Teresa Salgueiro a solo, com um disco que me diz muito. Canções barsileiras dos anos 30/70.

O disco é bom, mas a Teresa devia saber que é muito difícil fazer melhor com temas como Inútil Paisagem ou Insensatez. A Elis e a Gilberto (Astrud) cantaram estas canções como se fossem feitas só para ser ouvidas na voz delas.

Bem conseguidos (quase todos os temas) não me consigo desligar da voz da portuguesa de Trás-os-Montes que fez furor no Brasil. A voz da da Teresa faz lembrar a Miranda e trás a memória de uma época de ouro da rádio (pelo menos no meu imaginário).

É a música brasileira desde Ary Barroso até chegar ao Chico, passando pelo Vinicius, pelo Tom Jobim, Dorival Caymmi, Pixinguinha e outros.
Gostei.

teresa.jpg

Suburbia

May 12, 2007

Os subúrbios de Lisboa, regra geral, são feios. Sítios desumanizados frutos de uma política que empurrou a população para dormitórios que mais parecem selvas de betão. Blocos e mais blocos de cimento, uns parques vandalizados e pouco mais.

Mas, como já disse uma vez, há uma cultura suburbana que me fascina. Por ser diferente da minha e, sobretudo, por ser mais rica que a minha. Um bom exemplo disso são os Buraka Som Sitema. Aquilo é bom em qualquer parte do mundo. Como diz o Ípsilon.

Hoje vi outra coisa fascinante. Fomos levar a Cat a um sarau ali para os lados do Monte Abraão. O Sarau foi organizado num complexo gimnodesportivo que peretence a uma escola que se chama Miguel Torga.

A escola fundou um clube que promove eventos destes.

Vi duas coisas que me fascinaram.

Uma foi um exibição de break-dance (ainda existe?). Fabuloso. Podia ter sido numa qualquer rua do Harlem de NY. Era bom porque era sentido.

Deram uma lição aos atletas dos clubes betos de Lx que ali estavam e que os aplaudiram efusivamente.

Outra foi o genuíno empenho daquela gente que organizou um sarau que não fica atrás de muitos que já vi e que são feitos com 10 vezes mais dinheiro e meios técnicos.

Há coisas boas nos subúrbios.

Acreditem!

Transições

May 10, 2007

Tenho a convicção de que vivemos uma época de transição. Um bocado como diz o poeta, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

Neste caso, tudo está a mudar e nós ainda não sabemos bem o que é que a coisa vai dar. Pode ser boa e pode ser má. Tudo depende do ponto de vista.

Foi a pensar assim que ouvi com atenção a entrevista que a Maria José Nogueira Pinto deu no telejornal da 2. Disse aquilo que muita gente pensa. Os partidos estão a autodestruir-se.

As máquinas partidárias funcionam para servir o partido, os militantes, e, em último lugar, os cidadãos que elegeram os candidatos desses partidos.

A Câmara de Lisboa é um bom exemplo disso. Como o são outros municípios, o governo central e regional.

Ao ouvir a Nogueira Pinto, pensei que era capaz de votar nela, na Helena Roseta ou em qualquer outra pessoa (independente) que estivesse disposta a por ordem na CML e que apresentasse um projecto credível.

Quem é que ainda acredita nos partidos?