Museu Salazar

Na Cova da Beira, há uns quantos individuos que querem fazer um museu quem tem como tema o nosso último ditador, Oliveira Salazar.

Depois da minha viagem a Berlim (a cidade mais diferente de todas as cidades ocidentais que já visistei), fiquei impressionado com o exemplo dos alemães. Eles mostram o seu passado recente. Fazem-no de uma forma curiosa. Mostram e fazem questão de transmitir o incómodo do que nos estão a mostrar. Incómodo que se sente quando se visita o Museu Judeu de Berlim (despido de objectos, ele próprio o objecto), ou quando se percorre a cidade e se depara com uma placa que explica que naquele sítio, um antigo cemitério judeu, os nazis obrigavam os judeus a jogar futebol.

Nunca me senti tão impressionado com o que vi, como aconteceu em Berlim. Impressão que me transmitiu intranquilidade e me ajudou a perceber como tudo foi possível. Uma sensação de mau-estar que não é possível sentir apenas visualizando os filmes sobre o holocausto.

Aprende-se. Somos obrigados a pensar e a reflictir sobre a nossa história recente.

Em Portugal, a coisa é ao contrário. Não ligamos peva ao nosso passado recente.Com algumas excepções ( Fundação Mário Soares) pouco ou nada se sabe da ditadura em Portugal. Sobre o ditador, apenas que era um tipo cinzento. E pouco mais.

Daí que fazer um museu é uma boa notícia. Só não o é, se o museu servir (só) para nos mostrar e dar a conhecer a figura do pai da nação, como ainda é conhecido por muitos. Ou então para se transformar num local de peregrinação daqueles que entendem que “no tempo do Salazar é que era!”

Acho que é uma oportunidade para se falar do Salazar e do salazarismo. Do que teve de mau e de bom (?).

Tento explicar ao meus filhos o que representou a ditadura. Tento fazer perceber que, se hoje podemos ver a televisão que queremos, os livros que gostamos e de falar, sem medo, sobre assuntos que nos interessam, não devemos esquecer que nem sempre foi assim.

E que devemos a poucos a liberdade de o poder fazer.

Esses poucos também deviam caber no Museu Salazar.

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3 Responses to “Museu Salazar”

  1. Pedro Says:

    Concordo com tudo o que dizes. Acho que não devemos apagar a memória e esquecer a História. É certo que a dita se repete, mas parece-me que é importante, por isso mesmo, mantê-la conservada. Talvez assim, seja mais fácil mantê-la onde pertence: no passado.

    Só não concordo com uma coisa: a tua utilização da palavra “visualizar”, em substituição de “ver” :-)

  2. Patrícia Says:

    Subscrevo ipsis verbis.

  3. zoob2007 Says:

    Salazar era maçon?

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