Archive for March, 2007

O mundo às avessas

March 23, 2007

I – Na quarta-feira estive numa reunião na antiga escola dos meus filhos para decidir algumas questões que se colocavam.

Uma delas tinha que ver com os horários. Algumas educadoras entendem que são os horários que se devem adequar às disponibilidades pessoais de cada uma e não o inverso.

Sem querer ser reacionário (às vezes sinto-me um bocadinho), respondi aquilo que me pareceu ser elementar num caso como este: as senhoras são trabalhadoras da escola que tem uma direcção que determina os horários a cumprir, dentro daquilo que é a lei laboral.
Qualquer dia temos de pedir desculpa por pagar os salários a tempo e horas.

II – Leio, na quinta, que uma Juiz na Alemanha, recusa um pedido de divórcio (ou separação, não percebi bem) a uma marroquina naturalizada alemã. A marroquina alega e prova que o marido usa e abusa da violência física.

A Juiz indefere o pedido justificando com a aplicação dos príncipio do Corão onde, na opinião da magistrada, o marido tem o direito de punir a mulher desobediente.

Esta aparente generosidade e tolerância com as demais culturas é falsa, perversa e indigna.

Primiero porque, segundo os entendidos, o Corão não dá essa indicação. A comunidade islâmica da Alemanha ficou revoltada com semelhante aberração jurídica.

Neste sentido, a decisão é um atestado de minoridade passado a uma cultura que deve ser respeitada: tipo, eles, coitadinhos são uns bárbaros, mas entendem-se bem assim.

Depois porque ser islâmico ou judeu ou católico ou budista, deve ser indiferente para um país que é laico e que deve aplicar as suas leis.

Uma maluca, portanto.

III- O Vasco Pulido Valente a defender o Portas é qualquer coisa que só pode mesmo vir do Pulido Valente.

Gosto muito de ler o que ele escreve sobre o país, o mundo e o seu próprio umbigo, mas a crónica de hoje é de um nível de fazer chorar as pedras. Estive mesmo tentado a chorar, tão ardente era a defesa.

Mas não tinha lágrimas.

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Os miúdos, parte MCVXXV

March 22, 2007

Como o novo pai, eu também sou insuportável quando se trata de falar dos meus dois filhos.

Já não mostro fotos e agora os meus prazeres são secretos, partilhado apenas com a J..

Mas, de vez em quando, escorrego.

Aqui vai uma escorregadela.

No outro dia, fui buscar a minha filha à ginástica. Ela está em pulgas porque vai à Aústria participar na Gymnaestrada. Enquanto esperava, olhava para um rapaz (mais ou menos da idade dela) que não tirava os olhos da miúda.

É certo que ela está uma brasa. Mas, caramba, já não há respeito pelos pais!

Coloquei-me entre ela e o indivíduo que isto de estar a olhar para a minha filha com olhos de carneiro mal morto só quando eu não estiver ao pé.

Depois contei-lhe o que se tinha passado. Ela corou e deu-me um enorme beijo, como que a dizer que tenho de ter paciência porque ela está a crescer.

Lembrei-me da música da Marisa Monte que fala das meninas que não comem, não dormem. O pai leva ao doutor a filha “adoentada”. O doutor nem examina, chama o pai de lado e diz-lhe em surdina que o mal é da idade e que para a tal menina não há um só remédio em toda a medicina.

Ok! Enfiei a viola no saco e prometo (secretamente) não ser um pai seca.

É que eu adoro os meus filhos. E não há nada a fazer

Regras de conduta, a educação dos Homens, snobish post

March 21, 2007

Sempre me ensinaram que um Homem que quer ser um Senhor tem de respeitar determinadas regras e convenções sociais.

Foi assim com o meu avô e é assim com o meu pai. Ambos procuraram transmitir muitas dessas regras, que fazem parte de uma espécie de código secreto dos rapazes. As raparigas também as têm e é assim que os rapazes identificam uma Senhora.

Uma delas é que se deve respeitar uma Mulher, seja ela uma Senhora ou nem por isso.

Daí que tudo aquilo que se passou no CDS (é mesmo a única maneira de se falar no Paulo Portas) é lastimável. Não do ponto de vista político (quero que o CDS se exploda), mas e sobretudo daquilo que revela ser o comportamento de um homem.

Convém dizer que não partilho das conviccções políticas da Nogueira Pinto, mas reconheço nela uma Mulher de carácter e com uma enorme capacidade de trabalho.

Por outro lado, a Nogueira Pinto, quer se goste ou não, é uma Senhora. Tem aquilo que hoje em dia não se compra em Centros Comerciais ou mesmo na Internet.Muitas fraldas mudadas a tempo e horas, como dizia o outro.

A cena no CDS deve ter sido de “gradar” aos céus. Mesmo assim, há coisas que não se dizem.

Eis quando o deputado que alegadamente agrediu a Nogueira Pinto (nunca tinha ouvido falar no tipo, mas admito que o meu mundo é pequeno) vem para a TV dizer que ela se fez valer da sua condição feminina para se vitimizar.

Ora aí está. Mesmo que o deputado esteja coberto de razão pode pensar uma coisa dessas mas nunca a pode dizer e sobretudo invocá-la em sua defesa. Afinal é um Homem ou outra coisa qualquer?

Há maneiras mais elegantes de se defender. Esta, certamente, não é uma delas.

Mas, descendo mais baixo, o tal deputado vem dizer que a invocação da sua (dela) condição feminina era o mesmo que ele vir dizer que ela o estaria a acusar por ele (deputado) não ser branco.

O que é isto?

Com estas palavras, ficámos a conhecer melhor o carácter do senhor deputado.

De onde vem estes rapazes?

440 anos

March 19, 2007

Moro na freguesia de S. José, em Lisboa, há quase 14 anos.

Soube hoje pelo Público que a minha freguesia celebra este ano 440 anos de vida.

Vai haver festa e cinema ao ar livre nos Restauradores.

A coisa promete.

Parabéns!

O Tiago

March 12, 2007

Apareceu ontem.

Hoje conseguimos ver a cara (chateado quando viu o pai que lhe saiu na rifa) e ele é, J. dixit, igual à mãe.

Tudo o que é boa gente sentiu-se como nós: emocionados e gratos  por ter tudo corrido bem.

Só resta desejar felicidades a todos.

O Tiago é uma criança com sorte.

Os pais também.

Beijinhos

Domingo, 11 de Março de 2007

March 11, 2007

“Já nasceu correu tudo bem”, dizia o sms enviado pelo tio P. .

Estamos muitos felizes, mas não tanto como vocês devem estar.

Hoje foi, sem dúvida, um Bom Dia.

Beijinhos para a mãe, o pai e o T..

As piscinas e a vírGula

March 10, 2007

Sexta-feira.
Discussão jurídica acesa sobre a prescrição.
Cansaço extremo. A precisar de qualquer coisa alcoólica.
A perspectiva de um jantar anima-me.

Lá fomos, depois de deixar os miúdos entregues à tia P. e ao avô Jorge (que apareceu para vir buscar a agenda que tinha prometido à minha mãe e que estava em riscos de passar de prazo).

O restaurante é lindo. Ali ao lado da portugália e chama-se VírGula. À nossa espera, as nossas amigas – aquelas que já fazem parte da família restrita – sentadas no bar.
Pedi sumo de tomate temperado e com uma boa pitada de gin.

Sentámo-nos. Pedi Quinta de Cabriz Reserva (belíssimo) e uma entrada que chamou a minha atenção: queijo da ilha (provavelmente o melhor queijo do Mundo) em fatias de pão alentejano acompanhado de tiras de maçã bravo de esmolfe e pinhões. Uma delícia.
Para comer um bife do lombo acompanhado de batata doce gratinada (gratin, no original o que achei um bocadinho pretensioso).
Tudo bom, execpto a batata gratin que estava muito gratinada.

A conversa fluiu. As nossas amigas são sempre uma aposta ganha.
Falámos sobre o Siza e soube que o arquitecto ganhou o 3 prémio Secil. Por ter desenhado uma piscina ali para os lados de Barcelona.
A piscina (vi hoje) é soberba. Coberta e descoberta. Enorme, cheia de luz por dentro.
O Siza é um génio.

Depois de uma semana tramada, foi um bom início de fim de semana.

Dead Combo

March 9, 2007

Um dos tipos dos Dead Combo (o do chapéu) tinha (ou tem ainda, não sei) um filho(a) na escola onde andaram os meus filhos.

Lembro-me de o ver e de achar que era um personagem com graça. Uns tempos mais tarde, descobri que fazia parte dos Dead Combo que tinham lançado um disco (cd para os mais novos). Li sobre o disco no Público e percebi que a coisa devia valer a pena. Comprei, passei para o iPod e esqueci (tenho esta mania com os discos, livros e dvds. Compro e, mais tarde, ouço, leio ou vejo).

Ontem, no meu passeio matinal até ao office, resolvi ouvir o disco.

Rendi-me. Por identificação (que não me apetece explicar) à medida que o disco avança, lembrei-me dos filmes do David Lynch, do Tarantino, do Wim Wenders (só o Paris, Texas) e do Kusturica.

Depois a supresa. Muitos sons novos. Muita coisa nova (ouvir o som do amolador de facas e tesouras é uma coisa estranha e bonita).

É, sem dúvida, um dos melhores discos de 2006.

A obsessão foi de tal ordem que obriguei a J. e os miúdos a ouvirem o disco ao jantar.

Todos aprovaram.

Vão estar no Maxime, no próximo dia 17. Vou tentar ir.

dead-combo.jpg

Museu Salazar

March 8, 2007

Na Cova da Beira, há uns quantos individuos que querem fazer um museu quem tem como tema o nosso último ditador, Oliveira Salazar.

Depois da minha viagem a Berlim (a cidade mais diferente de todas as cidades ocidentais que já visistei), fiquei impressionado com o exemplo dos alemães. Eles mostram o seu passado recente. Fazem-no de uma forma curiosa. Mostram e fazem questão de transmitir o incómodo do que nos estão a mostrar. Incómodo que se sente quando se visita o Museu Judeu de Berlim (despido de objectos, ele próprio o objecto), ou quando se percorre a cidade e se depara com uma placa que explica que naquele sítio, um antigo cemitério judeu, os nazis obrigavam os judeus a jogar futebol.

Nunca me senti tão impressionado com o que vi, como aconteceu em Berlim. Impressão que me transmitiu intranquilidade e me ajudou a perceber como tudo foi possível. Uma sensação de mau-estar que não é possível sentir apenas visualizando os filmes sobre o holocausto.

Aprende-se. Somos obrigados a pensar e a reflictir sobre a nossa história recente.

Em Portugal, a coisa é ao contrário. Não ligamos peva ao nosso passado recente.Com algumas excepções ( Fundação Mário Soares) pouco ou nada se sabe da ditadura em Portugal. Sobre o ditador, apenas que era um tipo cinzento. E pouco mais.

Daí que fazer um museu é uma boa notícia. Só não o é, se o museu servir (só) para nos mostrar e dar a conhecer a figura do pai da nação, como ainda é conhecido por muitos. Ou então para se transformar num local de peregrinação daqueles que entendem que “no tempo do Salazar é que era!”

Acho que é uma oportunidade para se falar do Salazar e do salazarismo. Do que teve de mau e de bom (?).

Tento explicar ao meus filhos o que representou a ditadura. Tento fazer perceber que, se hoje podemos ver a televisão que queremos, os livros que gostamos e de falar, sem medo, sobre assuntos que nos interessam, não devemos esquecer que nem sempre foi assim.

E que devemos a poucos a liberdade de o poder fazer.

Esses poucos também deviam caber no Museu Salazar.

A Lisboa de Alice

March 7, 2007

Ontem fui ter com a Inês. A tal que me dá massagens a ver se a coisa fica melhor.

A massagem foi óptima e no fim, vingança da Inês, obrigou-me a fazer um exercício de alongamento dos músculo das pernas que me doeu imenso. Recomendou que o fizesse todos os dias ao deitar.

Quando saí da clínica, lembrei-me muito do filme do Marco Martins. A clínica fica ali para os lados da Católica.

O dia estava cinzento, senti-me na Lisboa do filme do Marco. Muitas autoestradas ( eixo norte-sul, segunda circular,etc), torres de apartamentos com vista para os viadutos, muito trânsito, chuva miudinha, gente apressada.

Imaginei tudo o que pode acontecer numa Lisboa que é muito diferente da minha.

Será que as pessoas são felizes a viver ali?

Talvez sim, ou talvez não.

Não sei.