Archive for February, 2007

A Estrela

February 23, 2007

No Carnaval resolvemos rumar à Covilhã. Nós, os miúdos, uns amigos e os míudos dos amigos.

Tudo correu muito bem. Bom Hotel, crianças à solta (a exigir o cartão dos quartos dos pais), boa comida, boa companhia.

A J. e a Cat tiveram uma aula de ski e ficaram viciadas (elas têm queda para a coisa). Eu não desgostei, embora em férias fazer qualquer tipo de esforço não é comigo. Prefiro ler, dormir, comer e beber e conversar, o que já é muita coisa.

A Covilhã é uma cidade simpática que tem a universidade mais bonita que conheço, a UBI. Tem também um museu dos lanifícios que é uma coisa honesta e que vale a pena visitar.

Depois há a serra. Um assombro de beleza, com o Zêzere por perto e com uma paisagem que me faz pensar em coisas boas.

Mas, como não há bela sem senão (estamos em Portugal, já se vê), é uma dor de alma chegar à Torre e verificar que:

– demorámos cerca de 2 horas a fazer 6 quilómetros;

– estão nove milhões e quinhentos mil portugueses (os outros têm juízo e já lá não põem os cotos);

– os apoios (cafés e lojas) continuam a parecer os sanitários de um apeadeiro menor de uma estação da CP. O cheiro a urina, desinfectante, queijos e presuntos misturam-se no ar de forma a provocar a repulsa de qualquer cidadão médio. Fechando os olhos, podíamos estar em plena idade média.

–  a Torre é um mar de carros, Katias Vanessas e Sandros Vanderlei todos vestidos com trajes de carnaval de tecido sintético comprado numa qualquer loja do chinês;

– em suma, tudo o que a serra tem de magnífico, perde-se naquela que é (para mim) uma visão do inferno, em versão gelada.

Sendo aquilo um parque, não ocorreu às almas pensante deste país que é mais fácil proíbir os carros e organizar um esquema em que se deixa o carro cá em baixo e vai-se a pé ou de autocarro?

E que aqueles pardeeiros a que chamam cafés e lojas deviam ser implodidos e substituídos por coisas mais aprazíveis (e sobretudo, mais limpas)?

A natureza agradece e os meus olhos também.

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O Cerejal

February 16, 2007

Dupla Salgado.

Há 10 anos atrás (eu julgava que há uns 4 anos), na mesma sala, vi os Contos do Ócio.

Hoje fui ver o Cerejal. Baseado no texto de Anton Tchecov, conta a história de uma muher e de um homem. Ela aristocrata falida. Ele filho de criados que serviram em casa dela.

E há o Cerejal que representa o passado (dele e dela). Ele quer esquecer (é um homem rico). Ela tem pena de ver desaparecer a única boa (e má) recordação de vida, aquilo que resta quando ela já não tem nada. Foi ali que ela cresceu, foi ali que o filho morreu e foi dali que ela fugiu.

Ela verga mas não quebra. Há sempre o amante que a abandonou, mas a quem ela quer voltar.

Ele compra o Cerejal. Fá-lo (perversamente) por bem. Quer agradar.

Ela não quebra.

Pelo menos gosto de pensar que não.

Gostei muito da peça. Muito dos actores. Emocionei-me com ele e com ela.

Quem quiser ver, ainda vai a tempo. Está na Comuna até ao dia 17.

Parabéns à dupla Salgado e a todos os que nos deram esta peça.

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…suddenly, out of the blue

February 15, 2007

  apareceu o ZN.

Para além da provocação que foi ver uma coisa nova que ele trazia e que me está a dar a volta à cabeça, foi muito bom estar com ele.

O dia dos namorados II

February 15, 2007

Os meus filhos também ligam ao dia.

A Cat resolveu (top secret) oferecer ao miúdo que tem menos 4 anos que ela, um cartão a dizer I Love You. O cartão foi feito com palitos colados e diz quem viu que estava giro.

O miúdo (que finalmente conheci) deve ter ficado um bocado arrelampejado. Para além da diferença de idade, ele tem menos meio metro que a Cat. E está naquela fase Calvin. A miúdas não interessam.

O Rato, sempre mais discreto e a sair da fase Calvin, nada fez (aparenetemente). Ficou espantado quando eu disse que estava apaixonado pela mãe dele, minha mulher.

Apaixonado é para os namorados, não para os pais.

Tá bem. Para além do hint ( estamos mais velhos e namorados é coisa para juventude transviada), expliquei que podiamos continuar apaixonados.

Não sei se ele foi na conversa.

O dia dos namorados

February 15, 2007

Ontem, dia 14, foi dia de S. Valentim, santo que protege os namorados.

Sempre fui contra este tipo de datas. Namora-se quando se quer e mai nada.

Como eu namoro todos os dias (às vezes menos do que gostaria), resolvi aceitar o convite da J. para almoçar.

Atrasei-me.

Ela, preparada para fazer aquela cara de má que deixa qualquer um com vontade de desaparecer, desculpou-me.

A razão do perdão?

Umas flores magníficas que ofereci e que determinaram o meu atraso.

Referendo

February 12, 2007

Ganhou o sim.

Acho que a participação foi fraca (eu continuo a dizer que não se devia ter feito o referendo), mas acho que a lei tem de ser mudada, como já foi admitido.

Não vamos acabar com as divisões. Vamos começar a resolver um (vários) problema(s).

Espero que com serenidade. A matéria é delicada.

Tremor de terra

February 12, 2007

Para que conste, estava eu a beber café e a conversar com o meu mentor quando a minha secretária começou a abanar.

Foi um tremor de terra que teve o epicentro no Algarve (Cabo de S. Vicente) e atingiu 6.3 na escala de Richter.

Segundo o El Pais, o abalo sentiu-se em Madrid e Sevilha.

A irrepetível Natália Correia

February 9, 2007

Recebi o poema da autoria da Natália Correia em resposta a um senhor deputado do CDS, João Morgado, que entendia que o acto sexual se destina apenas à procriação.

A discussão era sobre a despenalização do aborto.

O poema foi publicado no Diário de Lisboa e reza assim:

Já que o coito – diz Morgado –

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou – parca ração! –

uma vez. E se a função

faz o órgão – diz o ditado –

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.

( Natália Correia – 3 de Abril de 1982 )

East & West

February 8, 2007

Tenho cá em casa um livro do Rushdie que se chama East & West. Foi-me emprestado pelo Pedro (tenho de o devolver) quando o livro foi editado na versão original.

É um livro que se lê e que diverte. O Ocidente e o Oriente contados com recurso a personagens e obras literárias que conhecemos. Tenho a noção de que há muitas mensagens no livro que não conseguimos descodificar.

Foi por isso que voltei a ler o livro em português numa edição da Fnac/D.Quixote, com um tradução impecável.

Como da primeira vez, gosto muito mais dos contos do Oriente. Sem lá ter estado, a imagem que ele traça (tão bem) de um país que fascina e deprime encaixa na perfeição no meu imaginário. Estão lá os cheiros, a poeira e o ambiente daquilo que eu imagino ser a Índia. Como no livro da Arundhaty Roy, ficamos a conhecer um pouco mais aquela gente.

Diverti-me com o Leilão dos Sapatos Rubi (temos uma obsessão comum que é o Feiticeiro de Oz, tema a que o Rushdie volta no livro Pisar o Risco) e com o Colombo e a Raínha Isabel, a Católica.

É mais uma prova do génio do indiano.

A ler ou reler

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Voltar

February 6, 2007

O fds foi a 1.000. De tal forma que resolvi não parar para não quebrar.

Limpar, lavar, encerar, guardar, arrumar, enfim, tudo o que é normal quando se regressa a uma casa que teve obras.

Ainda fiz duas viagens a casa da avó Joaninha para ir buscar as nossas coisas (desde que saímos de casa parece que as coisas aumentaram).

A casa começa a reagir à nossa presença e está a ficar habitável.

No domingo à noite sentei-me em frente à televisão só para fazer zapping, coisa que não fazia há quase 3 meses.

Sinto-me como a Dorothy, sem o Toto. There’s no place like home.

É bom voltar.