Archive for January, 2007

…só mais uma coisa e calo-me

January 30, 2007

Ainda o aborto.

Vi ontem o programa da Fátima Campos Ferreira – pessoa a quem, na minha opinião, o sucesso subiu à cabeça – e julgo que é exemplar o que foi dito:

Alguém no seu perfeito juízo entende que uma mulher que pratica a IVG deve ser perseguida pelo Estado e punida num tribunal?

Comparamos a mulher que aborta a uma pessoa que mata, rouba ou viola?

Temos o dever de a denunciar?

Acho que não e acho que mesmo os que defendem o não também pensam como eu.

Donde – como diria o EPC – para quê uma lei que pune essas mulheres?

Por outro lado, se os que defendem o não são pela vida (não somos todos?), porque é que permitem à mulher abortar em casos de violação ou mal formação do feto?

Votem.

Advertisements

O aborto

January 24, 2007

Há uns anos atrás, Portugal foi a referendo. Mais de metade resolveu ir para a praia e ganhou o não num universo de menos de 1/3 de eleitores que exerceram o seu direito de cidadania (eu fui um deles).

Sou a favor da despenalização que entendo ser uma questão de consciência de cada um. Entendo, como o PCP, que a matéria, ainda que do foro pessoal, não deveria ir a referendo. O Governo ( este ou qualquer outro) devia fazer aprovar a lei.

Como disse, sou a favor da despenalização e não a favor do aborto coisa que só nos países de Leste ou na China se pode defender e fomentar em nome de um interesse superior (qual seja não sei).

Tenho vergonha de pertencer a um país onde as mulheres que acabaram de praticar aborto são levadas para interrogatório judicial, num processo – vale-nos o bom senso dos juizes portugueses – que só enxovalha e não acaba com a praga do aborto clandestino.

Tenho vergonha quando ouço a elite portuguesa que defende o não dizer que temos de apostar na vida humana. Para além de actos de caridade que ficam bem nas revistas cor de rosa – e que também me envergonham-, quem é que ajuda, diariamente, as mulheres e as famílias que vivem com dificuldades inimagináveis ou os miúdos que mal nascem são entregues a instituições para adopção onde, por vezes, permanecem à espera que alguém se lembre deles. Acabam invariavelmente por saltar de instituição em instituição até atingirem a idade adulta sem direito a uma infância e à família que é (ainda) uma instituição a valorizar.

Tenho vergonha de um Estado que não apoia a natalidade e penaliza as famílias que optam por ter filhos. Por toda a Europa, que está a envelhecer, os estados fomentam a renovação e a natalidade.

Hoje de manhã ouvi com satisfação as declarações do Bispo de Viseu (um católico como deve ser) que diz que votava sim no referendo se a questãoa decidir fosse só a despenalização das mulheres que praticam o aborto. Na opinião do Bispo, as mulheres que o fazem não o fazem de ânimo leve.

O Bispo, como dizia a J., vai votar pelo sim. Não pode é dizer mais.

No meio disto tudo, espero que ganhe o sim.

O empreiteiro, as obras e o IKEA

January 22, 2007

A minha obra está quase no fim. Amanhã, começam as limpezas que se devem prolongar até ao final da semana.

A casa ficou linda e eu estou cheio de vontade de começar a organizar festas de inauguração.

Tenho de dizer que o empreiteiro, apesar de ser um bocado insolente – deve ser dos ares de Almada – é um excelente profissional. O tipo cansou-se (e cansou-me) com bocas do género: estão a gastar muito dinheiro numa casa velha, esta casa de banho vai ser a vossa ruína.

Tudo é verdade. A casa é velha e a casa de banho custou 3 olhos. Mas ele hoje admitiu – quase a vomitar – que o trabalho ficou impecável e que valeu a pena. Foi o melhor que eu já fiz, disse ele em voz baixinha para ver se eu não ouvia.

Quanto ao IKEA, apenas posso dizer que a coisa funcionou muitíssimo bem. Aquilo é barato e os tipos são muito atenciosos. Testámos a capacidade de resistência dos empregados e nunca nos sentimos desiludidos. Trocam o que houver para trocar, pagaram pelos enganos imputáveis à loja e tudo correu pelo melhor.

Vamos ver se o mesmo se poderá dizer do material.

O pai e o pai verdadeiro

January 19, 2007

Desapaixonado como devo ser, nesta matéria, considero pelo menos estranho que o pai “adoptivo” tenha apanhado 6 anos por sequestro de uma criança que com ele viveu desde os 3 meses de idade.

O pai biológico tem todo o direito de querer assumir a sua paternidade (que desconhecia, ao que parece, quando a criança nasceu).

No meio disto tudo, a minha estranheza é pelo facto de não perceber onde é que está o interesse do menor, afinal uma vítima de (mais) uma trapalhada do mundo dos crescidos.

Os miúdos, parte XXXV

January 17, 2007

Depois de uma reunião de pais na escola onde fiquei a saber que as coisas não vão nada mal, descobri que:

A Cat (e as amigas) estão todas apaixonadas por um miúdo que anda na 1ª ou 2ª classe, portanto, um pirralho. Elas (a Cat e as amigas) estão na 4ª classe. É uma espécie de “open secret” na escola e o miúdo já recebeu uma declaração de amor. Para além de mexer com o coração das miúdas, coloca-as num dilema moral. É que elas não conseguem decidir quem é que vai ficar com o miúdo. O que ele acha sobre o assunto parece não ter grande revelo. E assim começam as mulheres a infernizar a vida aos homens.

O Rato está de castigo. A razão é simples: como rapaz que é, gosta de brincar às lutas com os amigos. Vai daí a coisa descontrolou-se e ele excedeu-se. Resultado: ficou sem recreio e teve de pedir desculpas ao amigo magoado. Resposta do amigo: desculpo, mas só se se vieres brincar comigo para o recreio.

Pacto para quê?

January 13, 2007

Já todos sabemos que, para funcionar bem, um país precisa de bons sistemas de educação, saúde e justiça.

Da educação, temos aquilo que se sabe e da saúde o que se conhece. Em resumo, tudo vai mal e há resistências (legítimas ou não, consoante o ponto de vista) quanto às reformas que se querem introduzir.

E da justiça?

Anunciado como se fosse o elixir da juventude, o PS e o PSD vêm agora falar de um novo pacto para a Justiça.

A Justiça vai mal, está cara e não funciona.

Um exemplo: Foram actualizadas as tabelas daquilo a que se designa por “preparos”. Os “preparos” são um imposto que o cidadão paga para aceder à Justiça. Quer resolver uma questão com recurso ao Tribunal, tem de pagar ao advogado e tem de pagar também ao Estado (aqui a Justiça vai mais à frente que a Saúde, uma vez que já há muito que a taxa moderadora existe e é bem pesada).

Imaginemos um cidadão médio (clase média) que quer propor uma acção para cobrar uma indemnização resultante, por exemplo, de obras mal executadas na sua casa. Avalia a coisa por baixo e pede € 5.000,00.

Até Dezembro de 2006, pagava ao Estado, para iniciar o processo a módica quantia de € 111,25. Esta verba, se tudo correr bem, se não existirem acidentes de percurso, será paga por duas vezes. Logo, €222,50.

Tudo para além do montante que terá de pagar a um advogado pelo trabalho desenvolvido. Vamos supor que paga ao causídico a quantia de € 500,00.

Colocada a acção em Tribunal, o Juiz informa-o que não se consegue chamar para o processo o empreiteiro incumpridor. Tentaram tudo e não o conseguem apanhar. O cidadão fala com o seu advogado que o informa de que a citação do empreiteiro tem de ser efectuada não por funcionário judicial mas por solicitador de execução. O cidadão concorda.

Uns dias depois recebe uma comunicação do advogado dizendo que tem de pagar € 100,00 de provisão ao solicitador que irá fazer a citação. E ele paga.

Com alguma sorte, o cidadão consegue que a sua acção avance. Tudo corre pelo melhor e, cerca de 1 ano e meio depois tem o julgamento marcado.

No dia do julgamento (sempre numa perspectiva optimista), o cidadão, fruto da bom trabalho do seu advogado, obtém uma condenção do malvado empreiteiro. Mas o emprenteiro não paga a bem.

Passa então à fase executiva onde tem de pagar ao Estado mais € 22,25. A coisa não corre mal ( no Tribunal, entenda-se), mas, no final, o empreiteiro não têm por onde pagar.

O pobre cidadão fica a ver navios. Mas já pagou uma pequena fortuna ao Estado.

Agora imaginem que tudo isto se passa em janeiro de 2007. As taxas de justiça aumentaram e, ao que parece, o governo e o PSD querem aumentar ainda mais o esforço do cidadão, prevendo que, quem perde uma acção, para além de pagar as custas judiciais vai pagar ao advogado da parte contrária os honorários.

É como se um doente fosse ao médico, queixando-se de dor de barriga e o médico, depois do diagnóstico, informasse: ” Meu caro, você não tem nada. Para além da taxa moderadora, vai ter de pagar parte do meu salário”.

Enfim, estamos a ficar cada vez mais parecidos com a Finlândia.

Atrasados

January 9, 2007

Este ano, como não tinha casa, não tive enfeites de Natal.

O mesmo não se pode dizer da nossa cidade.

Porque é que não acabam com os enfeites?

Vão ficar para o ano que vem?

Ps. hoje pensei em inventar uma arma que detectasse e destruisse os pais natais colocados nas janelas e nas varandas a fingir que estão a entrar pelas casas a dentro.  Não os suporto desde que se tornaram uma praga chinesa no Natal português.

Os filhos

January 9, 2007

Ainda na condição de desalojado (parece que a obra vai acabar no dia 19 de Janeiro), recebi uma boa notícia: os meus filhos tiveram óptimas notas no primeiro período.

Não daquelas tipo bom ou muito bom, mas daquelas que dizem, para além disso, que estão a progredir e bem integrados (sobretudo no caso do Rato).

A Cat ainda me disse que no alemão teve uma excelente nota.

Desapareceram logo as saudades de casa.

O Pai

January 5, 2007

O que é que se pode dar a um pai que acaba de completar 70 anos de vida?

Não sei.

Eu, a J. e os míudos oferecemos um livro sobre a vida do Mandela.

É que, para um pai assim só um livro assim.

Oferecemos ainda uma garrafa de Taittinger (Brut) e um Esporão reserva cujo o ano não me lembro.

O resto foi um jantar magnífico, preparado pela mulher do meu pai – que também é conhecida por Mãe -, ao qual chegámos indesculpavelmente atrasados. Conversa, uma garrafa de Má Partilha e boa companhia fizeram o resto.

Só falta dizer: “…..muitos anos de vida!”, como no bolo que tinha 70 velas.

40

January 3, 2007

Do meu círculo restrito de amigos, há uma (a primeira) que faz hoje 40.

Estamos todos a ficar uns velhos.

Velhos mas enxutos!

Beijinhos para a S.