Archive for December, 2006

Out with the girls and the boy

December 19, 2006

Ontem foi um dia para esquecer. Literalmente.

O que me valeu foi o final do dia. Fui jantar fora com amigos que são meus colegas na Direcção de uma escola especial aqui no centro da cidade.

Como nos matamos a trabalhar e não ganhamos um chavo (faço-o com muito gosto), resolvemos organizar um jantar. A coisa não podia ter corrido melhor. Comida brasileira (Comida de Santo), regada com caipirinhas e um Ervideira que, apesar das bocas, estava delicioso.

Depois do jantar, fomo as casa do Z. e a surpresa foi total. A casa dele fica no Bairro Alto e deve ter uns 700m2. Salas com páineis de azulejos do séc. XVII, uma colecção fabulosa do Cruzeiro Seixas (sim, há mais coisas do Seixas do que eu julgava), onde se destaca um desenho genial e fora de tudo o que é habitual no trabalho do artista.

Um final de noite perfeito, com conversa simpática e uma aguardente deliciosa.

Levei as meninas a casa (lembrei-me de quando era mais novo e fazia esse número a pé, atravessando meia Lisboa) e apanhei um táxi para a minha casa de empréstimo.

Estava a precisar de um final de dia assim.

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As working girls e o futebol

December 15, 2006

Não tenho, nem nunca tive, especial interesse por futebol. Visto a camisola quando joga a selecção (faz bem e não custa nada), mas não vibro especialmente com o golo do X, Y, ou Z.

Sou do Benfica – por causa de uma pessoa que me é muito querida – mas sempre achei, na minha suprema ignorância, que o futebol é muito falado pelas piores razões. Ele é a transferência do jogador que nunca é linear, ele é o escândalo do presidente do clube que se abotou com uma massas, ele são os árbitros que recebem prendas que não deviam (nem podiam) receber, e agora, a estrela é uma senhora chamada Carolina.

Não li o livro nem vou ler. Percebi que a senhora era (ou é, não sei) uma working girl, daquelas que sussurram canções ao ouvido dos senhores anunciando um “love for sale”.

A senhora tem todo o direito de escrever “tudo sobre o meu ex-marido”. O que me espanta é que “tudo sobre o meu ex-marido” desperte tanta atenção por parte dos media que, fazendo publicidade gratuita, ajudam a vender o livro que já vai na quarta edição.

As denúncias que a senhora faz no livro criam tamanha onde de choque que vem o Procurador Geral da República dizer que está a ler o livro e que, se assim o entender, irá agir em conformidade. (Só falta vir o Cavaco dizer que a Maria lê, todas as noites, um excerto do livro)
Eu acho que a coisa é mais, como diz o povo, uma zanga de comadres.

E mais um ruído de fundo (triste e deprimente) daquilo que o futebol tem de (muito) mau.

Será que tem alguma coisa boa?

Só quando ganha o Benfica!

Ele há coisa mais chata…

December 14, 2006

…do que ter de ter uma conversa difícil com uma pessoa de quem se  gosta muito?

E ficar, depois da conversa, como se um combóio nos tivesse passado por cima da cabeça?

But then again, quem disse que a vida é um mar de rosas?

As iluminações de Natal

December 11, 2006

Gosto de ver Lisboa (provavelmente, uma das cidades mais bonitas do mundo que conheço) iluminda no Natal.

Até agora, o mais bonito é ver a Avenida da Liberdade cheia de bolas azuis e brancas penduradas nas árvores. Parece uma floresta encantada onde, a todo o momento, pode saltar um personagem qualquer de um enredo fantástico.

Agora, o resto é uma palhaçada. Por exemplo, o Camões deve estar a dar voltas no túmulo. O que fizeram à estátua é um crime. Um Camões envolvido num rendilhado de luz. Nada masculino. Nada edificante.

Descendo um pouco (o Chiado está bonito), aparece a estátua do D. Pedro ( ou do imperador) envolvida numa espécie de sino de luz. Nada masculino. Nada edificante.

Virando para as ruas da Baixa, temos a Rua Augusta cheia de uns anjinhos-gigantes que não me dizem nada. Atrapalham quem passa.

Depois há ainda a profusão de cores. Lisboa parece que está num Natal-Santos-Populares.

And, last but not least, temos aquilo a que um taxista chamou “os ferros iluminados”, a maior árvore de Natal da Europa. Fica bonita quando se apaga toda (vêem-se umas estrelas azuis). Devia estar em Belém porque é responsável pelo trânsito maldito que, nesta altura, toma conta da Baixa.

Ainda não tive tempo para pensar que daqui a uns dias é Natal.

Sol

December 11, 2006

…não é o semanário. É mesmo o dito cujo.

Voltou!

Sinto-me melhor, apesar de ter estado, desde quarta-feira, sempre a trabalhar.

Como são bons os dias frios de Inverno, cheios de Sol.

Double 0 seven

December 4, 2006

Fui ver.

E não concordo com todos os que mantinham uma ladaínha no site Craignotbond-dot-qualquer-coisa.

Gostei de ver o novo Bond. O Daniel Craig é diferente e mais parecido- dizem – com o Sean Connery.

De todo o modo, acho que o Bond merecia uma renovação e uma viragem. Foi o que aconteceu. O Bond já não quer o dry martini shaken  – do I look like I give a damm- não perde 3 horas com o Q – que não aparece – e a única personagem que não foi escovada foi a M. – a sempre magnífica Judy Dench.

Gostei. E, para que conste, este é o primeiro Bond.

Os miúdos, parte XXXV

December 3, 2006

Rato em processo de aprendizagem da leitura e da escrita

“Eu fiz as contas”, ” Cinema”, ” Saída”, “Rato”;

” São escreve-se com um “S”, um “a” e um “o” com um acento no “a””;

“O “S” entre duas vogais vale “Z”;

“Pai, para que é que serve o “Z”?

“Miguel és um chato!” ” Chato escreve-se com x-a-t-o” “Não, é com um “c” e com um “h”

Com tantas regras como é que se aprende a ler e escrever em tão pouco tempo. Os miúdos, na Árvore – assim se chama a escola – não aprendem as sílabas como eu fiz. E parece que aprendem mais depressa. Método escola moderna.

Cat em registo pré-adolescente

“Pai, vou dizer uma coisa que se calhar não vais achar piada”

“Diz filha, o pai logo vê”

” É que não quero mais comer carne, quero ser vegetariana”

(….) Depois do espanto, o pai resolve falar com ela sobre o que é ser vegetariano. Mais espanto porque ela sabe tudo o que pai conta. O pai tenta demovê-la – para testar a sua capacidade de resistir a um bom bife com molho de mostarda – e ela não cede.
Deixou de comer carne – deixou as almondegas da avó São, os bifes do pai, a carne assada – e quer passar a ser vegan. Bom, não totalmente. Concede no leite, nos ovos e na manteiga e, exigências paternas, no peixe.

Já não há miúdos normais? Daqueles que demoram séculos a aprender e que só querem comer bife com batatas fritas.

( diz o pai para que todos respondam que os seus filhos são extraordinários.)

A verdade é que por serem meus filhos, eles são extraordinários. E, como dizia alguém, ponto final.