Archive for November, 2006

Cozinha italiana

November 28, 2006

Toda as pessoas sabem que a maior parte da cozinha internacional que se come em Portugal não é cozinha do país que prtende representar.

Como não será surpresa perceber que o “portuguese bacalau”- quando se encontra – que se come lá fora muitas vezes faz lembrar postas de pescada para gatos, ligeiramente salgada.

Tenho tido a oportunidade de ser sovado, diariamente, pela minha cunhada, a Sardinha, em questões que respeitam a cozinha italiana. Eu, a J. e os miúdos.

Por exemplo, a pizza. Jamais leva fruta, poucas vezes cogumelos. A genuina pode levar presunto ( nunca fiambre), anchovas e alcaparras ( que eu adoro e que ela já prometeu fazer). Para além disto, o famoso molho de tomate e o queijo, condições essenciais para se falar de pizza.

Outro exemplo, o molho de tomate. Faz-se com tomate alongado, muito maduro, cebola e majericão. Tudo sem gordura. Nunca se começa com um refogado. O azeite deita-se no fim. Nunca se utiliza polpa de tomate, o que é  coisa tão óbvia que nem merece comentários.

É claro que os ingredientes têm de ser de primeira qualidade. Nada de cebolas espanholas ( aquelas que têm um sabor tão forte que deixamos de poder beijar quem quer que seja durante 1 mês), ou tomate pouco maduro. O manjericão e outras ervinhas são, de preferência, de colheita caseira. As de compra não prestam.

E, last but not least, as massas são sempre frescas. Não há cá esparguete da Nacional – o esparguete é coisa pobre, prefere os fusili, e outras massas cujo nome não me lembro.

Acreditem que nunca comi comida italiana tão boa como agora.

De tal forma que os meus filhos humilham-me dizendo que as massas e molhos da tia são bem melhores que aquelas feitas pelo pai. Quanto a esta – dispensável – observação, os miúdos, quando voltarmos para casa, vão passar a comer pão duro e água que é para não se armarem em espertinhos.

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Lisboa

November 24, 2006

Desde que me mudei para casa do meu irmão, passei a conhecer uma nova Lisboa. É que apesar de ele viver depois de uma colina que fica em frente à minha casa, é uma Lisboa diferente.

Descobri uma leitaria Mimosa que é do tamanho de um ovo e está sempre a abarrotar. Razão simples. Fazem uns bolos deliciosos, temperados por uma simpatia que nos lava a alma logo de manhã.

Descobri o 790 – o ex-100, do Vai e Vem do César Monteiro – que é um autocarro limpo e confortável, ideal para quem como eu detesta andar de autocarro.

Descobri o Martim Moniz e os arredores, cheios de Lisboetas que povoam o filme – que eu não vi – do Serge. Ainda que possa ser acusado de pé de chinelo, confesso que me fascina a diversidade desta gente. Lisboa fica mais colorida. Espero que não se percam estes protagonistas e as suas lojas indianas, chinesas, guineenses.

Descobri a vista do Castelo de São Jorge que se vê da sala da casa do coelho.

(Re)Descobri os cozinhados genuinamente italianos da minha cunhada, a Sardinha.

(Re)Descobri a companhia diária do meu irmão.

Não fosse o stress de quem está fora de casa diria que tudo vai bem.

Lisboa é ( não me canso de dizer) linda.

Blue Skies

November 23, 2006

Andar por Lisboa com o iPod ligado tornou-se um hábito de muitos.

Há por aí muita gente que se diverte a ouvir músicas.

Hoje, um dia chuvoso, nada melhor que ouvir e voltar a ouvir A Ella Fitzgerald a cantar o Blue Skies, numa versão de 1958. A música tem poucos versos. A Ella improvisa durante boa parte da música e chega a meter no meio melodias como a marcha nupcial.

Tudo só com recurso à belíssima voz.

Dava um dia da minha vida para a ouvir ao vivo. No Carlyle, em Nova Iorque. E com a minha cara metade.

Frederico Lourenço

November 22, 2006

Por causa da Lucas, descobri um autor que tinha já ouvido falar ( traduções notáveis de Homero), mas do quem não tinha ainda lido uma página ( nem o Homero, by the way).

Passei na fnac, em regime de grande contenção ( estamos em obras e a caminho da ruína financeira), mas não resisti. Comprei 3 livros do Frederico Lourenço.

Dos três, li já dois que gostei muito: Amar não acaba e a Máquina do Arcanjo.

São dois relatos biográficos da vida do escritor. O primeiro assinala o fim da infância e a passagem para a adolescência. O segundo é a adolescência.

O que é que tem de interesse? Tudo. À semelhança do livro da ( mais odiada que eu gosto) Filomena Mónica, conta a história do nosso país durante as décadas de 70/80/90. E tem mais mas não conto.

A ler porque é um relato inédito e muito bem escrito e construído.

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Coisas de gajas

November 15, 2006

As mulheres fascinam-me. De muitas maneiras.

Uma delas é aquela que vem sempre, e de forma sublime, retratada nos filmes do Almodovar. Refiro-me às coisas de gajas.

No outro dia, li aqui que há uma moda ridícula entre as mulheres. Não liguei muito.

Hoje, ao almoço, a J. disse-me o mesmo que eu tinha lido. Que era ridícula aquela moda. Ela não leu o diário da Dee, mas fez uma crítica igualmente feroz.

Por um segundo, não fiquei convencido. Pensei na Gisele Bundchen com aquele guarda-roupa.

A J., como se estivesse a ler o meu pensamento, acrescentou o seguinte: ” não imaginas o que é ver uma fulana com meio metro e 200 kgs naquele preparo”. Como quem diz, as portuguesas que usam aquela roupa não têm o corpinho da Gisele.

Fiquei arrasado! E diverti-me com o exemplo.

…..lharrona

November 14, 2006

De todos para ti, beijinhos de parabéns!

Vamos embora…

November 13, 2006

….. de casa.

A nossa casa grita ” preciso de obras”. A minha cozinha grita ” quero um forno e um fogão novo, uma despensa decente e uma mesa corrida com 2 metros para se poder trabalhar”. Até as casas de banhos se rebelaram e os autoclismos recusam-se a trabalhar ( imagem!).

É o caos.

Sinto que a casa  – sem dúvida um ser vivo – nos quer expulsar.

Vamos para casa do coelho durante o período ( breve, espero) em que estiverem a decorrer as obras na nossa casa.

Já fui aconselhado a ter mil e uma cautelas e assegurar-me que não sou aldrabado.

As histórias que me contam  falam de obras de santa engrácia – o mais comum – do desespero de quem está em casa de outra pessoa – conheço o sentimento – , passando por quem se arruinou com as obras e até mesmo à versão Murphy Brown de quem passou a viver com o empreiteiro em situação não completamente esclarecida.

Ok! Ok! Ok!

Vamos ver como corre a coisa.

Não temos opção.

A casa quer obras e mai nada!

Mongólia

November 13, 2006

Sem contar com o Jorge Amado, e com o Vasconcelos ( O Meu Pé de Laranja-Lima), conheço pouco da literatura brasileira.

Já ouvi falar de Érico Veríssimo, Machado de Assis, e outros cujo nome não me ocorre. Recentemente li o magnífico Zuenir ( A inveja).

Eis que senão, num jantar a minha quase-irmã, A., sugere que eu leia um livro de um brazuca chamado Bernardo Carvalho.

O livro resultou de uma parceria entre a Fundação Oriente e a Cotovia. O escriba fez uma viagem à China e a Mongólia e teria de escrever qualquer coisa sobre o assunto.

Qualquer coisa é um relato de uma viagem pela Mongólia, onde se cruzam 3 olhares diferentes ( mas que se completam) sobre a China e a Mongólia. Uma coisa como três relatos, em jeito de diário de viagem.

Um diplomata relata a história de um colega que deixou um diário ( carta?) onde conta os esforços para localizar um cidadão brasileiro – que também deixou umas notas – desaparecido na Mongólia.

É um livro que se lê bem e vale sobretudo pela informação que nos transmite sobre a cultura e modos de vida.

Mostra como é diferente a vida naquele pedaço de mundo. E como, por vezes, nos é difícil aceitar que há ( outros ) modos de vidas para além do ocidental. Que não são nem melhores nem piores. São assim como são.

Ao ler o livro, lembrei-me do que me foi dito pelo Gab sobre a cultura oriental.

É mesmo assim.

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Morte para o ditador, dizem os juízes

November 6, 2006

O julgamento do Saddam Hussein foi aquilo que se sabe. A meu ver não foi justo nem imparcial.

Justiça e imparcialidade são valores que prezo e que nunca estiveram na mente do ditador, porque é de um ditador que falamos.

Acho que deveria ter sido julgado por um Tribunal Internacional, constituído para o efeito, o que não aconteceu.

O que para mim é completamente inaceitável é a sentença.

Não acredito na “bondade” da pena de morte.

Apagar o ditador não resolve os problemas.

Sempre em festa

November 6, 2006

Foi o meu fds.

Começou na sexta e acabou no Sábado. Domingo, como manda a tradição, foi para descansar.

Gostei de ter a minha família e amigos a jantar.
Até Janeiro, a casa vai fechar para obras.

Literalmente.