Archive for October, 2006

Câmara Clara

October 28, 2006

Se um gajo gosta do enésimo suspiro da Floribela, se vibra com as cenas de sexo do inenarrável “Jura”, se tripa com a pseudo-juventude-queque-a-fingir-que-é-rebelde dos Morangos com açúcar, ou se adora ver um servente de armazém a seduzir umas tipas que dizem “hádem de ser”, onde é que há espaço para a cultura?

Por exemplo, na Câmara Clara que é um excelente programa da não menos excelente Paula Moura Pinheiro e que passa às sextas na 2.

Ontem com o Marcello Mathias ( um senhor à moda antiga extremamente moderno e actual) e com a Filomena Mónica que é uma das pessoas mais odiadas que eu mais gosto.

Falavam de memórias, biografias e auto-biografias.

Gostei muito. Sempre que posso não perco.

PS. Gostei de ouvir a Filomena Mónica e o Mathias quando disseram não compreender a arte contemporânea.

O que é um piano suspenso no tecto da Tate Modern? Um perigo para quem passa por baixo.

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O Rivoli II

October 24, 2006

Em vez de responder ao Sérgio, aqui vai o que consegui apurar.

No Sábado, estive a jantar em casa do meu amigo N. que apoiou a ocupação numa rara manifestação de solidariedade vinda da capital do império.

O que resultou da nossa conversa foi a minha oposição à ocupação. O N. explicou que o teatro é importante para a cena cultural do Porto – que já foi de vanguarda e que hoje não é nada.

Tudo bem. Mas o argumento de que se vai entregar a privados o que foi pago com dinheiros públicos não colhe pela simples razão que não me passa pela cabeça que a entrega não tenha contrapartidas financeiras.

Por outro lado, é sabido que há ( no país e no Porto) uma imensa minoria que vive do que o Estado ou as autarquias podem ou querem dar.

É sobretudo por isso que não concordo com a ocupação.

O Rivoli

October 20, 2006

Terminou ontem a ocupação do Rivoli.

O teatro foi ocupado em protesto contra a Câmara do Porto que quer entregar aos privados a gestão do Rivoli. Dizem os ocupas que assim se vai perder a garantia de teatro de qualidade. Diz o município que gastou uns milhões na recuperação do teatro e que as receitas de bilheteira não cobrem mais de 6% do investimento inicial.

Dizemos todos que a cultura não tem preço.

Será que sim?

Fiquei divido. Um exemplo que me é próximo ( porque fica ao pé da minha casa) é o Politeama e o antigo Olympia ( aquele que passava filmes XXX rated e onde se passavam coisas para além dos filmes).

O La Feria pegou nos dois e rentabilizou-os com público e peças que alguns dirão que são populares. E isso tem mal?

Acho que não. Até porque o La Feria fez mais pelo teatro dito de entretenimento – um primo da revista – do que muitos dos responsáveis pela lenta recuperação do Parque Mayer.

E será que temos todos de pagar para manter um teatro que não dá lucro? Sim e não.

Sim porque, como a educação e a saúde, a promoção e o investimento na cultura – teatro incluído – é, ou deve ser, uma das funções do Estado.

Não porque acho que a programação não pode ser elitista e dirigida a 3 espectadores.

Das peças mais chatas que tenho assistido, todas elas passaram num teatro nacional que é o D. Maria.

Porque é que o Rivoli não aprende com a experiência ( até agora de sucesso) do Maria Matos?

Mais importante do que a ocupação ou a ( desproporcionada) reacção da Câmara do Porto, acho que se deve investir na formação de um público que gosta de ir ao teatro.

E quanto a isso, acho que pouco se tem feito.

O P., ou cenas da vida conjugal

October 17, 2006

Gosto muito do meu marido. Acho que ele é giro, tem bom gosto, é moreno e bom pai.

Como não há bela sem senão, há coisas que me irritam profundamente na maneira de ser do P. .

Não muda o rolo do papel higiénico – passou a fechar o tampo da sanita depois de o ter ameaçado com um divórcio – tem a mania que eu é que me atraso sempre e irrita-me o facto dele se despachar em dois mniutos, e, o pior de tudo, ele fuma.

Já pedi que não fumasse na sala da televisão. Já pedi que não fumasse na sala de estar.

Ontem foi o cúmulo. O P. a fumar na sala de estar e eu preocupada com o fumo que sobe e invade os quartos lá de cima. Ainda por cima, diz-me, com aquela carinha de anjo que ” já apaguei o cigarrro”.

Epá, nestas alturas, dá-me vontade de o esborrachar contra a parede.

O tipo, muito enjoado por me ter descido o espírito de uma valquíria, disse ” vou-me deitar”.

E foi. O sacana. Deixou-me sozinha na sala.

O que vale é que eu também sou uma tipa gira, com bom gosto, morena e boa mãe.

Enigma

October 16, 2006

enigma.jpg

Ora aqui está aquilo a que se pode chamar um filme honesto. Não é brilhante e não decepciona.

Escolhi ver este filme que aluguei por causa da Kate Winselt e do Tom Hollander, dois actores que gosto particularmente.

O filme conta a história dos decifradores de código em Inglaterra durante a II Guerra. No meio há um enredo com uma loura que desaparece misteriosamente por ter descoberto uma verdade sobre o Estaline que foi abafada durante a guerra para só ser admitida, segundo o filme, em 1990.

A imagem dos decifradores é a mesma dos actuais cromos da informática. Sem pizzas nem coca-cola, bebiam chá e whisky e ficavam dias enoites seguidas a trabalhar. Há uma cena em que o Hollander os manda para casa ” don´t you have a home to go to?”, mas eles insistem em ficar para saber se o trabalho foi bem feito.

Diverte. E serve para ver num Domingo.

Vem aí …..

October 13, 2006

…o doclisboa .

Eu vou.

Red, Hot And Blue

October 10, 2006

Sempre gostei das músicas do Cole Porter. As minhas preferências vão para as versões cantadas pela Fitzgerald.

Há uns anos atrás ( na verdade há muitos anos), saiu um disco de músicas do Cole cantadas por vários cromos num album intitulado Red, Hot & Blue. Tom Waits, U2, Neneh Cherry, Debbie Harry e Iggy Pop, Pogues, David Byrne e tantos outros – os Thompson Twins num magnífico “Who wants to be a milionaire?” – a prestarem uma homenagem ao Cole e a contribuirem para uma recolha de fundos para a luta contra a SIDA. O disco é muito bom e recomenda-se. Para saber mais, espreitem aqui
Nunca tinha tido curiosidade em saber mais sobre a vida do Cole. A música era suficiente. Sabia que era um personagem ímpar e percebi a razão pela qual foi o escolhido para dar conteúdo ao disco.

Anos depois, no passado fds, vi o filme sobre a vida do Porter com o Kevin Kline e a Ashley Judd nos principais papéis. As músicas são interpretadas por outros cromos, destacando aqui o Elvis Costello e a Natalie Cole. É engraçado ver o Robbie Williams numa pose tipo Sinatra , provando que ele é, na minha opinião, uma espécie de Madonna do género masculino.

É um musical divertido, para quem gosta de musicais.

Para ver numa tarde de Domingo.

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País Tropical

October 9, 2006

Cada vez tenho menos dúvidas.

Acho que o clima do planeta está a mudar. Só não vê quem não quer ver.

Um exemplo. Ontem fomos a uma festa de aniversário de uma filha de uns amigos nossos. A casa fica ali para os lados de Colares. Pelo sim, pelo não, resolvi levar casacos para os miúdos, já que a festa incluía um jantar e a cada tem um jardim onde tudo se passa.

Eram já 10 da noite e a noite não dava sinais de outono. Estava calor e não soprava uma brisa.

Voltámos para Lisboa e o calor não era de uma noite de 8 de Outubro.

Juntando a tudo isto as chuvadas intercaladas de sol e calor húmido, qualquer dias vemos crescer bananeiras e coqueiros à beira Tejo.

Wyoming Stories

October 7, 2006

Não por ser um machão preocupado com o tamanho da coisa, mas por absoluta falta de tempo, só agora consegui perceber o que foi – e ainda é? – o fenómeno à volta do filme do Ang Lee, Brokeback Mountain.

Antes de ver o filme, li o livro numa tradução que me pareceu fraca ( a tradução da pronúncia de um cowboy do Texas não funciona, entre outras coisas). Gostei muito e fiquei com vontade de ler o livro onde se insere este conto e dá pelo nome de Close Range: Wyoming Stories.

Descobri, com surpresa, que o livro foi escrito por uma mulher com idade respeitável. A mesma que havia escrito o magnífico Shipping News, adaptado ao cinema com as maravilhosas interpretações do Kevin Spacey , Julianne Moore e Cate Blanchet ( duas das mulheres mais bonitas do mundo).

Se o livro foi uma boa surpresa, pensei que o filme não teria muito a acrescentar a uma história com um tema tão comum- love story, american way – tratado de forma inédita. Enganei-me.

Para as 3 pessoas que ainda não viram o filme ( eu era a quarta e a 3 é a J. ), recomendo que esqueçam o rótulo de “gay cowboy movie”. É uma injustiça e um enorme desrespeito pelo história da Annie Prouxl e pelo trabalho do Ang Lee.

Sim, são dois homens que desenvolvem uma relação de amizade e cumplicidade que acaba por se transformar em amor. Eles não correspondem ao esteriótipo gay – antes pelo contrário, são mais machos que muitos homens como diz a música da Maria Rita.

O que eu gostei no filme, foi a forma perfeita como o Ang Lee conta a história. Uma América deslumbrante – a noção de espaço infinito nas paisagens do Wyoming ( filmada em Alberta, Canadá) – e uma imensa contenção na demonstração dos sentimentos. Os gestos substituem as palavras, como no livro. Afinal na América rural e pobre dos anos 60, as palavras eram poupadas e só o essencial era dito.

Quanto às interpretações: já tinha visto o trabalho do Jake Gyllenhaal no sublime Donnie Darko.

Do Heath Ledger, nem sombras. Não o conhecia e julgava que era mais um Tom Cruise vindo do Down Under. Puro engano. É um excelente actor. Pena é que os novos filmes que sairam entretanto ( Casanova – para pitas com as hormonas aos saltos – e Candy ) não me tentam nem um bocadinho.

As mulheres são outra surpresa. Cada uma ao seu estilo. Mas ambas magníficas. O sofrimento de uma e o aparente desprendimento da outra são interpretados de forma sublime.

Está de parabéns o Ang Lee. Esta de parabéns a Annie Prouxl que escreveu o conto. A ler em inglês.

Como é que se explica?

October 5, 2006

No dia em que a República faz 96 anos, porque a J. tinha de acabar o seu trabalho para ver se tem boa nota, fui com os miúdos ver um filme fantástico. A primeira incursão nos filmes de terror. O filme chama-se  A Casa Fantasma e é muito divertido.
Antes do filme começar, os habituais trailers e depois uma surpresa: o anúncio de uma peça intitulada ” As vampiras lébicas”.

Apropriado para uma plateia de miúdos, e com um sonoro f**-me, pôs os miúdos todos a perguntar :

a) existem vampiros?

b) o que é lésbica?

c) aquele senhor disse uma asneira.

O que vale é que o filme começou depressa e mergulhámos no clima de um dia das bruxas.

Uff!

Estes gajos são doidos!