Archive for July, 2006

O amor

July 14, 2006

– Observar a J. a ler as notas de fim de ano da Cat.

– Ouvir os meus filhos a rir, observá-los quando dormem

– Olhar os meus amigos sem que eles me vejam

– Sentir saudades de ser pequeno e pensar nos meus pais

– Pensar nos meus irmãos e sentir saudades de estar com eles

– Voltar para casa ao fim da tarde e olhar a colina do castelo em São Pedro de Alcântara

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Dois filmes, dois registos diferentes

July 13, 2006

Sem crianças – que estão a apanhar o fresco da Ericeira, livrando-se do calor infernal de Lx – resolvi convidar a J. para idas ao cinema.

O primeiro foi os X-men. Ao contrário do que diz o monkey, o filme não me pareceu uma miséria. O que pode ser atribuído ao facto de nunca ter sido um fã dos X-men.Acho que é um filme que se vê e que cumpre a sua função. Nem mais, nem menos.

O outro filme dá pelo nome de ” A vida secreta das palavras”. A realizadora – Isabel Coixet –  é catalã e o filme tem excelentes actores, entre os quais destaco o Tim Robbins e o Javier Cámara ( o enfermeiro que engravidou a menina em coma no filme do Almodovar). Tem tambémo contributo de uma actriz que julgo nunca ter visto mas que é espantosa, Sarah Polley.
Revi uma das actrizes por quem me apaixonei quando era miúdo: a Julie Christie.

Não conto o enredo. É um filme sobre a condição humana. A solidão e a exclusão forçada pelas circunstâncias da vida faz-nos pensar.  É um filme duro mas bonito.

Um bom fim de semana

July 10, 2006

… foi o que passei.

Na sexta-feira, depois da festa do Rato – uma festa de despedida da escola, ele vai para a primária – rumei ao Tapadão, onde me esperava a J., duas professoras e a turma da Cat.

A ideia partiu lá de casa. A Cat queria passar um fds com a turma dela, antes das férias do verão. Como a turma são 8, sugerimos que o fds fosse em casa da avó J. lá para os lados de Abrante. O nome da casa é Tapadão e fica no Tramagal.

Correu tudo muito bem. Os miúdos foram ( e voltaram) de comboio, dormiram no sótão com a professora – de quem eu passei a ser um fã – e divertiram-se muito, passando boa parte do tempo dentro de água, num tanque-psicina que existe lá em casa.

As refeições estavam organizadas e os miúdos obedeciam, cegamente, à professora. Deixaram tudo arrumado e não arranjaram as confusões habituais. Deram-se todos bem.

Gostei muito e todos ficaram com vontade de repetir a dose.

Chegados a Lx, a Cat entrou em ressaca. Ficou  triste por ter terminado.

Para o ano, se tudo correr bem, voltamos a repetir.

Ps. A bravíssima Itália ganhou o Mundial. Parabéns!

Os telemóveis

July 7, 2006

Deixando a conversa da bola, há um novo mundo à minha volta.

Tenho reparado nas pessoas a falar sozinhas na rua. Vão andando e falando. Como os maluquinhos do Júlio de Matos que me eram tão familiares quando andei na Eugénio dos Santos.

Só que estes não vêm do Júlio de Matos. São pessoas, aparentemente, normais. E digo aparentemente porque a figura que fazem é triste.

Armam-se com um auricular bluetooth e desatam a falar sozinhos.

Ainda hoje incomoda-me ouvir as conversas dos outros e peço licença para fazer uma chamada, quando estou acompanhado por um estranho.
Nunca percebi a obsessão portuguesa pelos telemóveis. Há uma necessidade de falar. E de o fazer em público que é coisa que eu estranho.

Será solidão?

Talvez.

A bola ,III

July 6, 2006

….não correu como esperávamos.

Perdemos contra a França, num jogo em que Portugal se bateu com dignidade e não nos deixou envergonhados.

Já ouvi por aí críticas a este ou aquele. São legitimas e ( eu sou um futebol-analfabeto) certeiras.

Mas acho que não são justas. Portugal fez um bom mundial, jogo é assim, e até os favoritos foram para o galheiro. Não devemos começar todos a urdir teias de culpa e responsabilidade esquecendo quem somos ( e não erámos os favoritos) e, ao contrário da Itália, Alemanha e França, nunca ganhámos um mundial.

Estivemos bem.

Mirem-se no exemplo dos argentinos que receberam a selecção, em Buenos Aires, como se fossem campeões.

Como diz o Eduardo Lourenço ( antes do jogo de ontem) se perdermos já ganhámos muito.

E mai nada!

A bola, II

July 4, 2006

Depois de ter sofrido com o jogo contra os ingleses, fui com os miúdos e com o Nuno e o João até ao Marquês, subindo e depois descendo a avenida.

Estava tudo em festa. A Cat disse que parecia o 25/04/74, “só que com mais carros” ( houve alguém que se insurgiu contra a analogia, fazendo notar os efeitos perniciosos da bola na cabeça das crianças. A esse alguém eu mandei ir dar uma curva e expliquei que a Cat comparou com a data porque já gramou algumas manifestações do 25/04 com o pai).

O Rato perguntou se “todas as pessoas de Lisboa estavam ali na avenida” na esperança de ” encontrar os meus amigos”.

Acho que a vitória não foi das mais justas ( no sentido em que nunca são quando se decide com recurso a penalties), mas não há dúvida que o Ricardo esteve muito bem.

Vamos ver como é que a coisa corre amanhã.