Archive for January, 2006

No Reino da Dinamarca

January 31, 2006

Parece que algo vai mal no reino da Dinamarca.

Um jornal com razoável circulação resolveu publicar 12 cartoons retratando Maomé em poses menos próprias, a saber, como pedófilo, com focinho de porco, com uma bomba no turbante, etc e tal.

Acontece que o mundo árabe, sempre atento, reagiu e ao que parece lançou uma sentença de morte contra os soldados que estão colocados no Iraque. Como aquela que haviam lançado ao Salmon R. quando este escreveu os Versículos Satânicos.

Esta sentença é uma ordem e deve ser cumprida por qualquer mulçulmano que se preze.

O que se fez na Dinamarca não é liberdade de expressão. É um exercício de humilhação e desrespeito pelo credo religioso dos outros.
E agora?

Ao que parece, o Jyllands-Posten tenta emendar a mão com uma carta aberta aos muçulmanos.

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E nevou…

January 30, 2006

Ontem, por volta das 15h, nevou em Lisboa.

Ao que parece, não nevava em Lisboa há mais de 50 anos.

Foi giro, mas durou pouco. Nem deu para ir brincar com os miúdos.

Sortido

January 28, 2006

– Mozart nasceu em 27 de janeiro de 1756. Foi há 250 anos e 1 dia.

Ouvi na TSF que a Orquestra Metropolitana de Lisboa vai dar uma série de concertos para celebrar o nascimento do génio da música clássica. Umas das peças que vai ser tocada é uma sinfonia ( número não-sei-quanto) que o Wolfgang compôs em 3 dias, menos do que a orquestra demora a ensaiar.

Talvez esta seja a face mais vísivel do wonder-boy. A outra,que exige um conhecimento da música, é bem mais compensadora.

– Frio.

Muito frio. Gostava que nevasse para poder brincar com os meus filhos.

– Filmes

O último que fui ver, Pride & Prejudice, não me deixou satisfeito ( gosto, infinitamente mais da série).

Quero ir ver dois com duas mulheres lindas:

O Caché – com o Juliette Binoche que é uma graça;

O Gabrielle – com a Isabel Hupert que é uma das mulheres mais bonitas do mundo.

Gozem este sábado cheio de sol.

Eu vou fazer por isso.

Land of freedom

January 25, 2006

O mundo gira e observa os EUA.

Os EUA borrifam-se para o mundo e vão instituir a pena de morte nas bases militares americanas.

Incluindo Guantanamo, onde, como se sabe, estão presos seres infra-humanos que não merecem qualquer tipo de protecção.

Assim se vê a força do …….

….

January 25, 2006

Depois de um fim de semana divino – estive num hotel onde o imperador do Japão jantou em 2004, coisa fina, portanto – tive de gramar com a banhada das eleições presidenciais.

Só tenho a dizer 3 coisas:

– o Cavaco ganhou por uma unha negra e a culpa é da esquerda e de um país que tem a memória curta e onde não interessa discutir seja o que for;

– as televisões merecem nota negativa ( muito negativa) uma vez que interromperam o discurso do Alegre para passar declarações do Sócrates. Mais uma vez, os media não assumem o erro e dizem que o Primeiro Ministro é que devia ter percebido que o Alegre estava a falar. Como se, de cada vez que o Sócrates fala, o mundo pára e as televisões transmitem.

– Daqui a 10 anos, quando a minha filha for maior, o Cavaco ainda será presidente ( pensamento deprimento manifestado pela J. quando percebeu que o boneco articulado ia ganhar).

Português cinzento

January 18, 2006

No marasmo de desinteresse quese transformou a campanha eleitoral, há uma manifestação de humor, a meu ver bem divertida, que mereceu crítica veemente da Comissão Nacional de Eleições.

É o movimento do presidente honesto, que encheu de bigodes os cartazes dos candidatos.

Mas como não se pode brincar com estas coisas, a CNE pediu à Procuradoria que investigue um eventual ilícito criminal. Os autores não se esconderam e dão a cara aqui.

Os candidatos ficaram mais divertidos ( o Cavaco parece um personagem saído do Asterix).

Será que podiamos ser menos cinzentos?

Da janela do meu escritório

January 16, 2006

…..pude deliciar-me com uma imagem magnífica.

Por volta das 10,30h, olhando para o rio, não se via Almada.

Um corredor de neblina invadiu o rio, tapando por completo a margem sul. A única prova da existência de Almada era o Cristo Rei, que pairava sobre a neblina.

É (também) por isto que eu adoro o meu escritório

Working girls

January 16, 2006

Em Milão, uma senhora que se dedicava à mais velha profissão do mundo ganhou uma batalha contra o estado italiano. Ao que parece, a senhora, dos seus 40 anos, está reformada. Por razões que se ocultam no segredo do exercício da sua profissão, conseguiu arrecadar uma pequena fortuna, sendo proprietárias de uns imóveis.

Vai daí e o braço comprido do fisco bateu-lhe à porta a perguntar como é que tinha aquela pequena fortuna sem nunca ter contribuído para o bem comum, pagando os seus impostos. A senhora respondeu que não pagava porque tudo o que juntou não podia ser considerado rendimento de trabalho.

O fisco que não brinca levou a coisa a tribunal e a senhora – que também não brinca – contratou um bom advogado. Corridas várias instâncias, a senhora ganhou o processo alegando que aqueles rendimentos constituiam uma compensação pelos danos morais e físicos sofridos no exercício da sua profissão.
Não podiam ser considerados rendimentos de trabalho.

Gostei da decisão, sobretudo porque o fisco – esse dementor que nos suga a alma e a bolsa – aprendeu uma lição.

Nem tudo o luz é rendimento tributável.

Substituição pupilar

January 12, 2006

Há coisas que aprendemos na faculdade e que depressa nos esquecemos.

Hoje reencontrei a substituição pupilar e quase-pupilar. Lembro-me de ter alguma dificuldade em perceber o que era esta coisa tão esquisita que pertencia ao direito das sucessões, isto é, às questões relacionadas com o que fica depois de batermos a bota.

E o que é esta coisa? É simples.

Alguém deixa, em testamento, uns bens a um menor. Essa pessoa pode escolher a quem é que esses bens ficam a pertencer caso o menor venha a falecer antes de atingir a maioridade.

No fundo, é como se estivesse a fazer um testamento para valer depois da morte do beneficiário.

O Direito tem coisas giras e esta é uma delas. Vou utilizá-la para impedir que alguém herde bens que não merece.

Podia ser mais desinteressante?

January 10, 2006

Um sinal dos tempos é a falta de pachorra perante uma campanha eleitoral para eleger um Presidente da República.

Não há discussão de ideias e parece que o PR é mesmo uma espécie de rainha inglesa, para não dizer um corta-fitas.

A miséria desta campanha vai ao ponto de termos um candidato com 60% de intenções de voto, candidato que não se compromete com nada, limitando-se a generalidades e banalidades. Aliás, quanto menos disser, mais votos tem, o que é espantoso.

Vivemos num regime que não é presidencial e onde o PR é o espelho de quem ocupa a cadeira. Já foi cinzento ( Eanes), mais colorido com tendência, na parte final, para perder cor e brilho ( Mário Soares) e, ultimamente tem sido discreto mas eficaz no momento oportuno ( Sampaio).

Depois da pré-campanha já ninguém aguenta ouvir mais falar das presidenciais.

A coisa não podia ser mais desinteressante, para não dizer deprimente ( como os gritos do Soares contra a comunicação social parcial, diz ele, como se ele estivesse com falta de mimo dessa comunicação social ou a preparar o terreno para uma derrota triste e desnecessária).

Perante este cenário, o que fazer?

Obviamente, voto.