… uma vez que há pessoas que já não podem ouvir falar do Potter, já li o livro e gostei do final, mas não do epílogo.
Por dever conjugal, estou obrigado a não revelar mais nada.
… uma vez que há pessoas que já não podem ouvir falar do Potter, já li o livro e gostei do final, mas não do epílogo.
Por dever conjugal, estou obrigado a não revelar mais nada.
Cada vez mais fascinado pela literatura americana contemporânea, estou a ler este livro de contos que é um verdadeiro achado.
Esta escritora, que viveu fechada numa casa durante boa parte da sua vida e que morreu nova, demonstra uma criatividade fora do vulgar. Chamava-se Flannery O’Connor
Os contos são magníficos e revelam uma experiência de vida que não tem (aparentemente) paralelo com as vivências da autora.
Depois há o sul da América que sempre me fascinou. Como nos livros do Faulkner, um sul com personagens ricas, cheias de contradições e de vida.
Aqui não há bons nem maus. A maldade e as boas intenções andam de mãos dadas.
E não há contemplações. Nem desculpas.
As coisas aqui são como são.
A não perder.
Tenho cá em casa um livro do Rushdie que se chama East & West. Foi-me emprestado pelo Pedro (tenho de o devolver) quando o livro foi editado na versão original.
É um livro que se lê e que diverte. O Ocidente e o Oriente contados com recurso a personagens e obras literárias que conhecemos. Tenho a noção de que há muitas mensagens no livro que não conseguimos descodificar.
Foi por isso que voltei a ler o livro em português numa edição da Fnac/D.Quixote, com um tradução impecável.
Como da primeira vez, gosto muito mais dos contos do Oriente. Sem lá ter estado, a imagem que ele traça (tão bem) de um país que fascina e deprime encaixa na perfeição no meu imaginário. Estão lá os cheiros, a poeira e o ambiente daquilo que eu imagino ser a Índia. Como no livro da Arundhaty Roy, ficamos a conhecer um pouco mais aquela gente.
Diverti-me com o Leilão dos Sapatos Rubi (temos uma obsessão comum que é o Feiticeiro de Oz, tema a que o Rushdie volta no livro Pisar o Risco) e com o Colombo e a Raínha Isabel, a Católica.
É mais uma prova do génio do indiano.
A ler ou reler
Em vez de desejar a todos um feliz ano novo (que é o que quero desejar), recomendo a leitura de um livro absolutamente excepcional e que me impressionou pela clareza do discurso. As reflexões de um velho sobre a amizade.
O livro é de um húngaro, Sándor Márai, que tem uma história de vida particular e que se suicidou aos 89 anos de idade (quem é que se suicida com esta idade?).
É um dos livros mais bonitos que li até hoje. Dois amigos encontram-se 41 anos depois de se terem separado. Para um acerto de contas entre os dois e com a vida…como ela foi.
Depois do Faulkner e do Roth, o Márai passou a integrar a minha lista de autores estrangeiros preferidos.
Leiam e tenham um excelente 2007!
Por causa da Lucas, descobri um autor que tinha já ouvido falar ( traduções notáveis de Homero), mas do quem não tinha ainda lido uma página ( nem o Homero, by the way).
Passei na fnac, em regime de grande contenção ( estamos em obras e a caminho da ruína financeira), mas não resisti. Comprei 3 livros do Frederico Lourenço.
Dos três, li já dois que gostei muito: Amar não acaba e a Máquina do Arcanjo.
São dois relatos biográficos da vida do escritor. O primeiro assinala o fim da infância e a passagem para a adolescência. O segundo é a adolescência.
O que é que tem de interesse? Tudo. À semelhança do livro da ( mais odiada que eu gosto) Filomena Mónica, conta a história do nosso país durante as décadas de 70/80/90. E tem mais mas não conto.
A ler porque é um relato inédito e muito bem escrito e construído.
Sem contar com o Jorge Amado, e com o Vasconcelos ( O Meu Pé de Laranja-Lima), conheço pouco da literatura brasileira.
Já ouvi falar de Érico Veríssimo, Machado de Assis, e outros cujo nome não me ocorre. Recentemente li o magnífico Zuenir ( A inveja).
Eis que senão, num jantar a minha quase-irmã, A., sugere que eu leia um livro de um brazuca chamado Bernardo Carvalho.
O livro resultou de uma parceria entre a Fundação Oriente e a Cotovia. O escriba fez uma viagem à China e a Mongólia e teria de escrever qualquer coisa sobre o assunto.
Qualquer coisa é um relato de uma viagem pela Mongólia, onde se cruzam 3 olhares diferentes ( mas que se completam) sobre a China e a Mongólia. Uma coisa como três relatos, em jeito de diário de viagem.
Um diplomata relata a história de um colega que deixou um diário ( carta?) onde conta os esforços para localizar um cidadão brasileiro – que também deixou umas notas – desaparecido na Mongólia.
É um livro que se lê bem e vale sobretudo pela informação que nos transmite sobre a cultura e modos de vida.
Mostra como é diferente a vida naquele pedaço de mundo. E como, por vezes, nos é difícil aceitar que há ( outros ) modos de vidas para além do ocidental. Que não são nem melhores nem piores. São assim como são.
Ao ler o livro, lembrei-me do que me foi dito pelo Gab sobre a cultura oriental.
É mesmo assim.
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Não vi o filme porque não tive tempo. Dizem que o Seymour Hoffman vai bem, não fosse a voz irritante do Capote.
Estou a acabar de ler o livro. Faz-me lembrar o Faulkner.
Uma família modelo é brutalmente assassinada no Kansas que não tem arco iris.
Pelo meio Capote levanta o véu e percebemos que há algo de errado na família modelo. Sem dizer o que é.
Pelo meio conta a história dos assassinos. Um mau e um pior. O mau é o Perry e o pior é o Dick.
Percebemos por quem é que o Capote se apaixonou ( dizem as más linguas), já que o livro conta a história do que se passou na realidade, recolhido em depoimentos e entrevistas colhidas pelo Capote logo a seguir à morte da família Clutter.
É aquilo a que se chama romance "não-ficção".
A América como ela é.
Cheia de som e fúria.

No início do século XIX, com Napoleão a conquistar a Europa, a corte portuguesa resolve fugir para o Brasil – fuga que se repete, uns anos mais tarde, já sem a corte e por razões diferentes.
Acabei de ler este livro, escrito por um australiano que viveuno Brasil e, como boa pessoa que é, apaixonou-se pela história de um regente ( D. João) casado com uma espanhola louca ( D. Carlota Joaquina) que transfere para o Rio de Janeiro o governo da nação.
É toda uma estrutura do Estado absoluto – em final de festa – que se muda para o Brasil, literalmente, de armas e bagagens. Mobiliário, bibliotecas inteiras, arquivos, tesouros, padres, fidalgos, amantes, funcionários, e tudo o mais que se pode imaginar.
O livro é notável como documento. Os portugueses não ficam bem no retrato, como também não ficam os ingleses que, em troca da defesa da mãe-pátria, exploraram o comércio de e para o Brasil numa situação de exclusividade.
A figura do regente, apesar da alegada incapacidade de tomar decisões, é, na minha opinião, a mais simpática.
Com a morte da mãe, a rainha D. Maria, D. João torna-se o primeiro monarca europeu a ser empossado numa colónia.
A Portugal e aos Algarves é acrescentado o reino do Brasil.
Os hábitos dos portugueses, a relação com os brasileiros, a revolta e as aspirações de independência quando a corte resolve voltar, 13 anos depois, a Portugal, são ilustradas como se um romance se tratasse.
Gostei muito e acho que nos faz falta ler mais livros como este.
É assim que se cativa o interesse pela nossa história.
Li mais um livro do Michael Cunningham.
Depois Sangue do Meu Sangue, Uma Casa no Fim do Mundo e o magnífico As Horas ( que li duas vezes, fascinado pelo personagem da Virginia Woolf), chegou a vez de Specimen Days, Dias Exemplares na tradução.
Este foi o livro que gostei menos. Uma América em 3 tempos, onde paira o espírito de Walt Whitman, personagem que não me era familiar.
São 3 contos, todos eles ligados por entre si. Dos 3 gostei muito do segundo que retrata uma América em fase de ressaca do 11/09. Meninos bomba que matam por amor.
É um livro que deixa um sabor amargo no fim mas que vale a pena ler.
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Sou descendente da geração da Filomena e não conheço ninguém que diga bem dela. Acho que deve ser uma pessoa especial que é o mesmo que dizer várias coisas mais ou menos desgradáveis.
Diz- se dela que é arrogante, pretensiosa, snob, cheia de si, and so on.
Comprei o seu Bilhete de Identidade e fiquei maravilhado. A vida dela ( ou parte) contada, ao que me parece, sem tentações de branquear o passado. É também uma fotografia de um portugal que está a desaparecer.
Ainda não vou a meio e já estou completamente viciado.
Sem querer branquear a Filomena, acho que é uma excelente prenda de Natal.
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