Indignei-me, no outro dia, com a manifestação “em defesa da família verdadeira”.
Na altura, para além de ficar irritado com a merda do trânsito que não andava – moro ali para os lados da Av. da Liberdade – e de ter demorado 40 minutos do Rossio até minha casa (demoro, normalmente, uns 2 minutos), e, sobretudo, com o fim último da manif. Aquele conjunto de pessoas entende que é dono(a) do verdadeiro conceito de família: pai, mãe e filhos.
Para além de achar boçal, provinciano e fora de tudo o que é real hoje em dia, não deixei que esses sentimentos influenciassem a explicação que dei à minha filha mais velha: é a liberdade de expressão e temos de a defender, mesmo quando (ou sobretudo) não concordamos.
Vai daí e ao ler hoje o Público, percebi, na sua verdadeira extensão, a razão da minha indignação.
E a verdadeira extensão da minha indignação – aquilo que não consegui explicar à minha filha – vem tim tim por tim tim, explicado de forma clara, agressiva, mas sempre brilhante, na crónica da Alexandra Lucas Coelho.
Resumo: ” A verdadeira família é aquela que se mantém à custa de mentira, traição, neurose? Não será, antes e finalmente, amor, clareza, coragem? Não serão famílias verdadeiras todas aquelas que querem, e conseguem, estar juntas?
A melhor herança o Novo Testamento é amor, amor e amor. Então dediquem-se a fazer o amor, espalhem todos esses ensinamentos cristãos e deixem viver os que querem viver.Olhem ara os vossos filhos, para os vosso pais, para as crianças abandonadas, para quem tem fome, frio, medo e está doente. Dêem-lhes todo esse tempo investido na promoção da suposta família verdadeira. E parem de atrapalhar o trânsito com assuntos que não são da vossa conta (…)
Sim, creiam, os homossexuais vão casar e ter filhos, é o futuro. Ninguém discriminado por raça, religião ou orientação sexual, lembram-se? Talvez os vossos filhos vos possam ensinar”
Obrigado Alexandra.