Há uns dias atrás, lendo o Público, verifiquei que se vai realizar em Lisboa a Cimeira UE-África no âmbito da presidência portuguesa.
Cimeira importante, sem dúvida. Mas o curioso foi saber que se criou um incidente em relação à participação do presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe. Ao que parece, Gordon Brown, sucessor de Blair, acha que ou participa ele ou o Mugabe.
O nosso ministro dos negócios estrangeiros veio a terreno dizer que preferia o Brown ao Mugabe (coisa estranha, a meu ver, já que a cimeira não é um clube de chá).
Parei para pensar e, não sendo o Mugabe um presidente com P grande – é daqueles ditadores africanos que nos fazem recordar o Bokassa, mas em versão, aparentemente, mais suave – achei que o o Brown tinha razão. Afinal a UE deve mostrar uma posição de discordância e repúdio para com estes ditadores.
Falei com o sábio na matéria – o meu próprio pai – que me disse que o sr. Brown não pode ter aquela atitude. Porquê, perguntei eu. Porque nesta cimeira há outros ditadores – se calhar mais pequenos ou menos importantes, mas, nevertheless, ditadores – que vão marcar presença na cimeira.
Mas mesmo que isso não acontecesse, há outros ditadores africanos relativamente aos quais a velha Albion não demonstra nojo, repugnância ou enjoo.
Nada como falar com quem sabe, e, quase sempre, tem razão.