Não por ser um machão preocupado com o tamanho da coisa, mas por absoluta falta de tempo, só agora consegui perceber o que foi – e ainda é? – o fenómeno à volta do filme do Ang Lee, Brokeback Mountain.
Antes de ver o filme, li o livro numa tradução que me pareceu fraca ( a tradução da pronúncia de um cowboy do Texas não funciona, entre outras coisas). Gostei muito e fiquei com vontade de ler o livro onde se insere este conto e dá pelo nome de Close Range: Wyoming Stories.
Descobri, com surpresa, que o livro foi escrito por uma mulher com idade respeitável. A mesma que havia escrito o magnífico Shipping News, adaptado ao cinema com as maravilhosas interpretações do Kevin Spacey , Julianne Moore e Cate Blanchet ( duas das mulheres mais bonitas do mundo).
Se o livro foi uma boa surpresa, pensei que o filme não teria muito a acrescentar a uma história com um tema tão comum- love story, american way – tratado de forma inédita. Enganei-me.
Para as 3 pessoas que ainda não viram o filme ( eu era a quarta e a 3 é a J. ), recomendo que esqueçam o rótulo de “gay cowboy movie”. É uma injustiça e um enorme desrespeito pelo história da Annie Prouxl e pelo trabalho do Ang Lee.
Sim, são dois homens que desenvolvem uma relação de amizade e cumplicidade que acaba por se transformar em amor. Eles não correspondem ao esteriótipo gay – antes pelo contrário, são mais machos que muitos homens como diz a música da Maria Rita.
O que eu gostei no filme, foi a forma perfeita como o Ang Lee conta a história. Uma América deslumbrante – a noção de espaço infinito nas paisagens do Wyoming ( filmada em Alberta, Canadá) – e uma imensa contenção na demonstração dos sentimentos. Os gestos substituem as palavras, como no livro. Afinal na América rural e pobre dos anos 60, as palavras eram poupadas e só o essencial era dito.
Quanto às interpretações: já tinha visto o trabalho do Jake Gyllenhaal no sublime Donnie Darko.
Do Heath Ledger, nem sombras. Não o conhecia e julgava que era mais um Tom Cruise vindo do Down Under. Puro engano. É um excelente actor. Pena é que os novos filmes que sairam entretanto ( Casanova – para pitas com as hormonas aos saltos – e Candy ) não me tentam nem um bocadinho.
As mulheres são outra surpresa. Cada uma ao seu estilo. Mas ambas magníficas. O sofrimento de uma e o aparente desprendimento da outra são interpretados de forma sublime.
Está de parabéns o Ang Lee. Esta de parabéns a Annie Prouxl que escreveu o conto. A ler em inglês.